A operadora de telecomunicações portuguesa MEO (Altice Portugal) mais 22 grandes empresas do sector a nível europeu enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, a alertar para o perigo extremo que as futuras medidas, que a CE pretende impor às operadoras (basicamente, remover toda a tecnologia chinesa atualmente usadas nas redes europeias), representam para a viabilidade financeira das empresas, a estabilidade tecnológica das atuais redes de telecomunicações e para a competitividade do sector ao nível da rede 5G e das infraestruturas digitais em geral.A carta, enviada no passado dia 10 de fevereiro, assinada por 23 presidentes executivos das maiores companhias de telecomunicações da Europa, foi revelada em primeira mão pelo site de notícias Politico, na passada sexta-feira, 13 de fevereiro (conteúdo pago, para assinantes).De acordo com informações obtidas pelo DN, uma das signatárias foi Ana Figueiredo, presidente executiva (CEO) do MEO. A missiva foi remetida a Von der Leyen pelas duas plataformas que representam os interesses das telecoms europeias, a GSMA e a Connect Europe.De acordo com a notícia do Politico, a proposta da Comissão que obriga ou visa a substituição em larga escala da tecnologia chinesa atualmente usada nas redes europeus "não é viável sem graves impactos".Argumentam, por exemplo, que tal transformação e substituição dos elementos tecnológicos chineses "não podem ser alcançada sem perturbar a qualidade e a disponibilidade dos serviços prestados aos clientes europeus durante e após essa transição".Fazer uma coisa destas, como propõe, de forma preliminar, a CE, afetaria a estabilidade das redes móveis e fixas, poderia levar a interrupções e à degradação do serviço em vários países".Além disso, continuam os signatários, "os custos efetivos de uma tal transição são muito superiores aos estimados pela Comissão Europeia".Segundo a carta, Bruxelas estima que o custo associado à purga da tecnologia chinesa das redes europeias possa ir de 3,4 mil milhões a 4,3 mil milhões de euros por ano ao longo dos próximos três anos. Ou seja, cumulativamente, as empresas europeias teriam de gastar até 12,9 mil milhões de euros nesta transição "disruptiva".Os assinantes da carta-aviso consideram que os valores calculados pelos serviços de Bruxelas estão "amplamente subestimados", a exigência em causa obrigaria a "alocar elevados recursos humanos e financeiros a essa enorme operação, ao mesmo tempo que "comprometeria investimentos essenciais" atualmente em curso ou em pipeline.Ainda segundo o Politico, a posição de GSMA e Connect Europe revela que existe "uma forte oposição à proposta da Comissão Europeia de impor a remoção obrigatória de tecnologia de fornecedores chineses considerados de alto risco, como Huawei e ZTE".As duas plataformas representantes da indústria de telecomunicações europeia acrescentam que "desviar recursos para substituir equipamentos hoje em pleno funcionamento atrasaria ainda mais a Europa na corrida global do 5G e das infraestruturas digitais", isto "num contexto em que Europa já está atrás de EUA e China na implantação de 5G avançado e na competitividade digital".Finalmente, mas não menos importante, GSMA e Connect Europe consideram que Bruxelas não faz qualquer proposta de "compensação" às empresas do sector no âmbito de uma transformação desta escala, ainda por cima referida pela CE como sendo altamente necessária e até "obrigatória" para blindar a Europa de eventuais interferências da China.O DN sabe que, além da CEO portuguesa Ana Figueiredo, da MEO (Altice Portugal), assinam a carta à presidente da Comissão Europeia os presidentes executivos das operadoras A1 Telekom Austria, BH Telecom, BT Group, Three / CK Hutchison, CYTA, Deutsche Telekom, Ericsson, FiberCop, KPN, Liberty Global, Nokia, Orange, Proximus, Swisscom, TDC NET, Telefónica, Telekom Srbija, Telenor, TIM (Telecom Italia), Vodafone e, claro, os diretores-gerais das duas associações empresariais remetentes GSMA e Connect Europe.