Foi a queda mais recente devido ao Caso Epstein: Larry Summers, antigo secretário de Estado do Tesouro, vai abandonar a Universidade de Harvard.
Foi a queda mais recente devido ao Caso Epstein: Larry Summers, antigo secretário de Estado do Tesouro, vai abandonar a Universidade de Harvard. D.R. / LarrySummers.com

Larry Summers abandona Harvard e retira-se da vida pública após escrutínio por ligações a Epstein

Antigo secretário do Tesouro dos EUA e ex-presidente de Harvard pressionado a deixar de lecionar no final do ano letivo, depois de se saber da relação próxima que manteve com o predador sexual.
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É o culminar de um processo de afastamento iniciado após a revelação de correspondência que detalham a sua relação próxima e prolongada com o falecido agressor sexual Jeffrey. Lawrence H. Summers, aquele que já foi uma das figuras mais influentes da política económica norte-americana das últimas décadas, cedeu à intensa pressão ética e institucional e confirmou que irá reformar-se da sua cátedra na Universidade de Harvard no final do atual ano académico. O anúncio oficial da sua saída foi avançado esta quarta-feira pela Agência Reuters.

Em comunicado, o antigo Secretário do Tesouro dos EUA e ex-presidente de Harvard afirmou ter tomado a "decisão difícil" de se reformar, numa altura em que a universidade conduz uma revisão ética rigorosa sobre todos os docentes e colaboradores mencionados nos ficheiros de Epstein, recentemente tornados públicos pelo Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA.

O Fim de uma Era em Harvard

A saída de Summers não se limita apenas às salas de aula. Jeremy Weinstein, reitor da Harvard Kennedy School, aceitou formalmente a demissão de Summers do cargo de codiretor do Centro Mossavar-Rahmani para Negócios e Governo. Segundo Jason Newton, porta-voz da universidade, Summers permanecerá em licença até à sua reforma efetiva, prevista para o verão de 2026.

Embora não tenham surgido, até ao momento, provas de irregularidades criminais por parte de Summers, o volume e a natureza da correspondência pessoal com Epstein tornaram a sua posição insustentável dentro da instituição que já presidiu entre 2001 e 2006.

Um efeito dominó na OpenAI

Este afastamento é o capítulo final de uma queda em cascata. Em novembro, logo após o anúncio da revisão interna de Harvard, Summers já tinha renunciado ao seu lugar no conselho de administração da OpenAI, a empresa responsável pelo ChatGPT.

Na altura, o economista declarou-se "profundamente envergonhado" pelas suas interações com Epstein e anunciou a intenção de recuar nos seus compromissos públicos para "reparar a relação com as pessoas mais próximas".

Mais do que uma baixa individual, o episódio Epstein na vida do académico é um golpe estratégico na estrutura de supervisão da tecnológica num momento de transição para um modelo comercial.

A OpenAI enfrenta um novo desafio na sua estrutura de liderança após a saída forçada de Larry Summers. O antigo Secretário do Tesouro dos EUA, que integrou o conselho em novembro de 2023 para trazer estabilidade após a crise que envolveu Sam Altman, deixa agora um vazio de influência institucional e política.

Sam Altman, CEO da OpenAI, fica com o caminho desimpedido, com o afastamento de LArry Summers.
Sam Altman, CEO da OpenAI, fica com o caminho desimpedido, com o afastamento de LArry Summers.EPA / Franck Robichon

Summers era visto como a "ponte" entre Silicon Valley e os reguladores de Washington. A sua vasta experiência no governo e no Banco Mundial conferia à OpenAI uma credibilidade necessária para gerir o escrutínio global sobre a Inteligência Artificial. Sem a sua presença, a empresa perde o seu interlocutor mais experiente junto dos centros de decisão financeira.

A sua demissão expõe também fragilidades nos processos de seleção (vetting) da OpenAI, uma vez que as ligações de Summers a Epstein já eram do domínio público aquando da sua nomeação. Analistas sugerem que a saída pode consolidar o poder de Sam Altman e dos membros restantes, reduzindo a diversidade de opiniões críticas no conselho.

Com a empresa a planear uma transição para uma entidade lucrativa (for-profit), a instabilidade no conselho pode gerar cautela entre investidores.

A urgência agora passa por encontrar um substituto que ofereça o mesmo peso institucional, mas sem os riscos reputacionais que ditaram o fim da era Summers em Harvard e na OpenAI.

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