Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu. Fevereiro de 2026.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu. Fevereiro de 2026.EPA / RONALD WITTEK

Lagarde promete que o euro digital vai baixar taxas sobre o pequeno comércio

A presidente do Banco Central Europeu revelou ainda, no Parlamento Europeu, que irá lançar uma criptomoeda euro e aliviar a carga regulatória sobre os bancos da Zona Euro.
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O euro digital, a nova forma de notas e moedas que o Banco Central Europeu (BCE) está a preparar vai permitir uma redução nas taxas de pagamentos suportadas pelos comerciantes, uma benesse que será sobretudo sentida pelos pequenos comércios, prometeu a presidente da autoridade monetária, esta segunda-feira, numa audição que decorreu no Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo.

O euro digital, que verá a luz do dia em 2029, "beneficiará as empresas europeias" porque, argumentou Christine Lagarde, "vai reduzir as taxas para os comerciantes, principalmente os pequenos".

Além disso, "facilitará a expansão do alcance das soluções oferecidas pelos prestadores de serviços de pagamento privados europeus", acrescentou durante o debate na sessão plenária sobre o relatório anual do BCE relativo a 2025, que será divulgado em meados de abril próximo.

Uma bitcoin com a chancela euro

No encontro, Lagarde revelou ainda que Frankfurt e os restantes bancos centrais nacionais estão a trabalhar na criação de uma moeda "tokenizada", um criptoativo, portanto, para concorrer com as restantes que existem no mercado global, como a Bitcoin, a maior e mais popular.

"Pretendemos também disponibilizar moeda de banco central tokenizada para apoiar o desenvolvimento de um ecossistema europeu integrado para ativos digitais", algo que, espera a chefe máxima do BCE, "irá garantir que este ecossistema tem um ativo europeu, denominado em euros e isento de riscos".

E fez uma terceira promessa: menos regulação sobre a banca. O grupo de trabalho do BCE sobre o tema "apresentou recentemente as suas recomendações para simplificar o quadro regulamentar, de supervisão e de reporte da Europa, mantendo simultaneamente um setor bancário forte e resiliente".

Para Lagarde, as propostas em cima da mesa "visam reduzir a complexidade regulamentar desnecessária, respeitando as normas internacionais. Um quadro regulamentar claro, harmonizado e proporcional é vital para um sistema financeiro forte que apoie a economia real".

Voltando ao euro digital, Lagarde explicou ainda que este "oferecerá aos consumidores uma solução que será aceite para qualquer pagamento digital em toda a zona euro". Além disso, "garantirá o mais alto nível de privacidade: nós, no banco central, não teremos acesso a dados pessoais".

E mais: "será possível pagar offline, com a mesma privacidade do dinheiro físico", reiterou.

Segundo o Banco de Portugal, os comerciantes terão tudo a ganhar com o advento do euro digital porque esta nova versão do euro "tornará os pagamentos mais eficientes e menos dispendiosos", será "uma solução de pagamento universalmente aceite na área do euro que simplificará a vida dos comerciantes" e representará "mais uma opção de pagamento ao dispor dos comerciantes, conferindo-lhes maior poder de escolha, com potencial redução dos custos associados".

Com uma nova forma de moeda na carteira das pessoas, o BdP antecipa "uma maior taxa de concretização de vendas, uma vez que o consumidor final disporá de mais uma forma de pagamento".

E, por último, o euro digital "permitirá a receção imediata dos fundos": estes "serão creditados na conta do comerciante no momento do pagamento", explica o banco central português.

"A nossa abordagem tem-nos servido bem"

Sobre a saúde da economia europeia e as taxas de juro, Lagarde reiterou o que disse nas últimas duas reuniões sobre política monetária, nas quais se decidiu manter a taxa de juro central principal (de depósito) em 2%, o nível mais baixo dos últimos três anos (está em 2% desde junho de 2025), deixando ainda sinais de que a descida de juros terá terminado e que os 2% serão para manter durante bastante tempo. Até final de 2026, pelo menos, diz a maioria dos analistas.

Segundo a presidente do BCE, "a inflação anual situou-se em 1,7% em janeiro e esperamos que estabilize de forma sustentável na nossa meta de 2% a médio prazo".

"De acordo com as últimas projeções da equipa do Eurossistema, de dezembro, a inflação total deverá atingir uma média de 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2% em 2028".

E, "apesar do contexto desafiante, a atividade económica na Zona Euro tem demonstrado resiliência", estimando-se por agora que "a economia tenha crescido 0,3% no quarto trimestre do ano passado e 1,5% no conjunto de 2025 – um resultado melhor do que o previsto para 2025 no início desse ano", sublinhou a banqueira central.

Na reunião da passada quinta-feira, o BCE "decidiu manter as taxas de juro inalteradas, uma vez que a nossa avaliação mais atualizada reafirmou que a inflação deverá estabilizar na nossa meta de 2% a médio prazo. No atual contexto de incerteza, a nossa abordagem à política monetária, baseada em dados e realizada reunião a reunião, tem-nos servido bem", rematou.

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