Foi mais um ano quente para o mercado imobiliário no país, que continuou a ganhar fôlego à boleia, sobretudo, do capital estrangeiro. No acumulado do ano, o volume de transações de investimento em imobiliário comercial deverá atingir a fasquia dos 3 mil milhões de euros, o que representa uma subida de cerca de 20% face a 2024, revela a Cushman & Wakefield ao DN. Apesar de os números ainda não estarem totalmente fechados, por existirem ainda negócios a serem firmados nos últimos dias de 2025, os dados preliminares da consultora apontam já para um novo máximo de transações desde 2020. A elevada liquidez existente no mercado, a confiança dos investidores no imobiliário numa ótica de preservação de capital e as perspetivas positivas de valorização no futuro é a tríade de argumentos que a Cushman aponta como engrenagem no motor do crescimento do negócio nos últimos 12 meses. “2025 será um ano muito positivo em termos de investimento imobiliário. Em relação a 2024, diria que houve uma clara consolidação da confiança no setor, apoiada por condições de financiamento mais acessíveis”, refere o partner e head of Capital Markets da empresa, David Lopes. Numa leitura por segmentos, o retalho liderou novamente as transações, totalizando um volume de mil milhões de euros, ou seja, um terço do investimento global do ano. Já o mercado dos escritórios duplicou a alocação de capital face a 2024 para os 700 milhões de euros. O setor da hotelaria ocupa a terceira posição no pódio tendo captado um investimento de 500 milhões de euros. Na área de Industrial e Logística, o investimento cifrou-se nos 300 milhões de euros, sendo este o melhor ano de sempre em número de transações realizadas e o segundo melhor ano de sempre em termos de volume transacionado. Por fim, dentro da área de living e alternativos as transações atingiram os 350 milhões de euros. As rendas prime continuaram a trajetória de ascensão em todos os setores. “As circunstâncias mantêm-se e os custos de promoção continuam elevados. Em paralelo existe um claro desfasamento entre a oferta de qualidade e a procura dos ocupantes e, nessa base, acredito que existe pressão para um aumento sustentado de rendas nos próximos anos nos diversos setores”, explica David Lopes.No que respeita ao perfil dos investidores, o capital estrangeiro continua a assumir o maior peso nos negócios, principalmente no segmento da hotelaria e de centros comerciais. Ainda assim, os investidores domésticos ganharam uma maior preponderância este ano, sobretudo na área de escritórios, nomeadamente family offices..Concorrência dá luz verde à aquisição da Torre Oriente pela Sonae Sierra.Consolidação e crescimento em 2026.Os elevados níveis de confiança no mercado imobiliário português aliados à liquidez disponível levam a Cushman & Wakefield a traçar perspetivas otimistas para o próximo ano. “É expectável que os escritórios de qualidade continuem a ter uma elevada procura e que os volumes de investimento se aproximem dos de 2025. No retalho, o investimento em centros comerciais irá continuar a dominar o setor e 2026 poderá ser um ano especialmente positivo no segmento retail parks. Já nos setores de logística e hotelaria, é expectável um aumento da atividade face a 2025, dado existirem algumas transações com dimensão a decorrer neste momento”, enumera David Lopes.O responsável de mercado de capitais da consultora aponta o licenciamento, a complexidade burocrática e os custos elevados de construção como os principais desafios. Já no capítulo das oportunidades, defende que “a falta de qualidade do stock existente e as perspetivas de crescimento de rendas são dois bons motores para encontrar oportunidades de investimento”, bem como a aposta no segmento build-to-rent, cuja expressão é praticamente inexistente em Portugal, contrariamente aos restante países da Europa..Investimento imobiliário global deve crescer 15% para 850 mil milhões de euros em 2026