Falta de procura na indústria automóvel alemã ajuda aos números.
Falta de procura na indústria automóvel alemã ajuda aos números.DR

Indústria da Zona Euro fecha 2025 em grande queda. Agravam-se receios de estagnação económica

Atividade manufatureira europeia recua perante a falta de encomendas. Já a Ásia demonstra resiliência, impulsionada pela procura global de Inteligência Artificial.
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O sector da manufatura da Zona Euro encerrou o ano de 2025 no vermelho, registando em dezembro uma contração ainda mais acentuada. De acordo com dados do Índice de Gestores de Compras (PMI) do HCOB, elaborados pela S&P Global, a atividade nas fábricas do bloco da moeda única caiu para os 48,8 pontos, face aos 49,6 registados em novembro. Este é o valor mais baixo dos últimos nove meses, consolidando-se abaixo da marca dos 50 pontos que separa o crescimento da contração.

A queda foi impulsionada por uma redução na produção pela primeira vez em dez meses, resultante de um declínio contínuo nas novas encomendas. Segundo Cyrus de la Rubia, economista-chefe do Hamburg Commercial Bank (HCOB), a falta de dinamismo das empresas para o ano de 2026, aliada a uma postura de extrema cautela, actua como um "veneno para a economia", afirmou à Reuters.

O espectro da recessão e o peso da Alemanha

O desempenho europeu é marcado por uma divergência interna, mas com um pendor maioritariamente negativo. A Alemanha, a maior economia do bloco, continua a ser o principal foco de preocupação, registando o desempenho mais fraco entre as oito nações monitorizadas, com o seu PMI a atingir o mínimo de dez meses. Itália e Espanha também voltaram a entrar em terreno de contração.

Esta paralisia industrial está a alimentar um debate intenso entre economistas sobre o futuro da Zona Euro em 2026. Segundo análises recentes do Banco Central Europeu (BCE) e de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a persistência desta contração manufatureira coloca a região num risco real de "estagnação secular". Embora o sector dos serviços tenha oferecido algum suporte ao longo de 2025, a debilidade industrial alemã ameaça arrastar o PIB do bloco para uma recessão técnica na primeira metade de 2026, caso a procura externa não recupere rapidamente.

Exceção neste cenário cinzento surge a França, que apresentou um sinal de esperança com o seu PMI manufactureiro a atingir o valor mais alto em 42 meses.

Fora da União Europeia, o Reino Unido também surpreendeu, com a atividade a crescer ao ritmo mais rápido em 15 meses, beneficiando de uma recuperação da procura após o último orçamento de Estado apresentado pela chanceler Rachel Reeves.

Ásia brilha com o impulso tecnológico

Em contraste com as dificuldades europeias, as potências industriais asiáticas terminaram o ano de 2025 com uma base muito mais sólida. As economias de Taiwan e da Coreia do Sul, fundamentais na cadeia de abastecimento tecnológica global, conseguiram inverter meses de declínio.

Em Taiwan, o PMI subiu para 50,9 em dezembro (vinda de 48,8), superando a marca da expansão pela primeira vez em dez meses, enquanto na Coreia do Sul este indicador registou uma subida para 50,1, a primeira leitura expansionista desde setembro.

Este optimismo asiático deve-se, em grande medida, ao "boom" da Inteligência Artificial (IA), que gerou uma procura massiva por semicondutores e hardware especializado.

Shivaan Tandon, economista da Capital Economics, refere à Reuters que as perspectivas a curto prazo para os sectores exportadores da Ásia permanecem favoráveis, beneficiando também de um desvio da procura norte-americana em relação à China.

A própria China também apresentou uma recuperação inesperada na atividade fabril, impulsionada por um aumento de encomendas antes do período festivo.

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