Numa movimentação que visa redefinir o equilíbrio de poder em Silicon Valley, a Alphabet, empresa-mãe da Google, anunciou esta sexta-feira, 24 de abril de 2026, um investimento colossal na Anthropic (a 'mãe' da IA Claude) que pode atingir os 40 mil milhões de dólares (cerca de 34 mil milhões de euros). Este negócio, o maior alguma vez realizado pela gigante de Mountain View num parceiro externo, sinaliza uma mudança radical na estratégia de Inteligência Artificial (IA) do grupo, uma vez que dá prioridade à infraestrutura e ao hardware relativamente ao software.O investimento está estruturado de forma faseada. No imediato, a Google injetará 10 mil milhões de dólares, ficando os restantes 30 mil milhões condicionados ao cumprimento de metas técnicas rigorosas e objetivos de desempenho por parte da Anthropic nos próximos três anos.Com este influxo de capital, a avaliação de mercado da Anthropic — fundada por ex-executivos da OpenAI (criadora do ChatGPT) — disparou para os 380 mil milhões de dólares, consolidando-se assim como a principal rival independente do eixo Microsoft-OpenAI.O fim do reinado da Nvidia?Em troca do investimento, a Anthropic concordou em treinar e executar os seus modelos de próxima geração, incluindo o aguardado Claude Mythos, exclusivamente nos chips proprietários da Google: as TPU (Tensor Processing Units) de 7.ª e 8.ª geração.Até agora, o mercado de IA tem estado refém dos chips H100 e B200 da Nvidia. Ao garantir que um dos modelos mais eficientes do mundo (o Claude) corre exclusivamente em hardware Google, a Alphabet consegue uma "prova de conceito" viva para atrair outras empresas para a sua infraestrutura, desafiando diretamente a hegemonia da Nvidia e da Microsoft Azure.Da competição para a "coopetição"A decisão da Google de financiar um concorrente direto do seu próprio sistema de IA, o Gemini, levanta questões sobre a possível canibalização, mas analistas apontam para uma estratégia de "hedge", ou cobertura de risco."A Google percebeu que não precisa de ganhar a guerra dos chatbots para ser a dona da IA", afirma um analista da Bloomberg. "Se o Gemini vencer, a Google ganha. Se o Claude vencer, a Google ganha através do aluguer dos seus centros de dados e da venda de energia." O acordo prevê que a Anthropic utilize 5GW (gigawatts) de capacidade de computação na Google Cloud nos próximos cinco anos, um volume de energia sem precedentes para uma única entidade privada.O maior interesse da Google na Anthropic terá sido acelerado pelo desempenho financeiro fulgurante desta últimaeste mês. A ferramenta Claude Code, focada em programação autónoma, permitiu à startup atingir receitas anuais recorrentes de 30 mil milhões de dólares em abril de 2026, provando que a IA generativa já é um negócio altamente lucrativo e não apenas uma promessa laboratorial.Este investimento surge também como uma resposta direta à Amazon, que recentemente reforçou a sua posição na Anthropic com 25 mil milhões de dólares. A Google, ao entrar com um valor superior, garante que a Anthropic permanece num modelo de "custódia partilhada", impedindo que qualquer rival ganhe controlo exclusivo sobre a tecnologia.