Desde 27 de fevereiro, véspera do ataque de Estados Unidos e Israel ao Irão, as taxas de juro da dívida pública das principais economias do mundo encetaram uma forte subida na sequência da forte subida dos preços da energia e da inflação.Com vários agravamentos de taxas de juro diretoras dos maiores bancos centrais já no horizonte para tentar arrefecer os preços (no caso do BCE - Banco Central Europeu fala-se em duas ou três até final deste ano), o risco da dívida dos soberanos acabou por escalar bastante nestes quase três meses.No entanto, apesar de Portugal continuar a carregar um peso da dívida pública ainda muito elevado, próximo dos 90% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é sempre notado como uma "vulnerabilidade" grande, a República aparece, para já, nesta primeira fase da nova guerra, no grupo dos mais protegidos nas taxas de juro, mais colado à Alemanha e Espanha, por exemplo.De acordo com um levantamento feito pelo DN, desde que rebentou a nova guerra no Médio Oriente, o agravamento de juros de França e Itália (que a seguir à Grécia, têm hoje o segundo e terceiro maior fardo da dívida da Zona Euro), ronda já os 0,7 pontos percentuais nas taxas de juro de mercado de longo prazo (Obrigações do Tesouro a dez anos), com a remuneração dos títulos a pagar aos credores a tocarem os 4%. Antes da guerra do Irão, estavam na casa dos 3,3%. Problema: França têm hoje um peso da dívida superior a Portugal (como Alemanha e Espanha, aliás) está menor pressionado, por enquanto. Face ao final de fevereiro, enfrenta um agravamento notório dos juros, é certo, mas de apenas meio ponto percentual, ainda assim, 30% mais suave do que o aperto sentido pelos franceses e italianos.Esta segunda-feira, a taxa de juro a dez anos portuguesa seguia nos 3,52% esta segunda-feira, no mercado secundário, onde são negociados os títulos de dívida dos países entre fundos e bancos, originariamente colocados pelos Tesouros através de leilões (no mercado primário).A Alemanha paga menos. Tal como Portugal, também teve um agravamento de meio ponto percentual ao longo destas semanas da nova guerra, enfrentando atualmente uma taxa de 3,15% no referido mercado secundário.Pior estão os EUA, cuja dívida pública ultrapassou recentemente os 100% do PIB, mas enfrenta agora uma taxa de juro de longo prazo crescente. A dez anos, está nos 4,6%, a 30 anos quase 5%.Assim, os receios de uma nova crise financeira, que além da energia alimentada por problemas de sustentabilidade das dívidas, voltam a estar em cima da mesa e o grupo das sete maiores economias do mundo (G7), reunido esta segunda e terça-feira, em Paris, adicionou mais esse ponto da agenda subordinada ao tema 'o que fazer com este choque e a guerra do Irão'.Além deste tema crítico, constam outros pontos igualmente graves como inflação elevada, estagflação, risco de recessão, choque petrolífero e guerra sem fim à vista, rutura no acesso a matérias primas cruciais como componentes para fazer fertilizantes agrícolas, terras raras para fabricar semicondutores, etc..Reservas de combustíveis a chegar ao fimLogo de manhã, na capital francesa, à margem do G7, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, largou um bomba: disse que as reservas de petróleo acumuladas antes da guerra no Médio Oriente e do encerramento do Estreito de Ormuz vão-se esgotar numa questão de semanas. As reservas "estão a esgotar-se muito rapidamente", advertiu e nesta altura, o hemisfério norte está começar a temporada das viagens [turismo] e do cultivo, na qual se consome mais combustível e mais fertilizantes", advertiu o alto responsável.Os líderes do G7 – grupo que é composto por EUA, Reino Unido, Canadá, Alemanha, França, Itália e Japão – estão também muito preocupados com a incerteza e o rumo disto tudo, o que torna a tomada de decisões muito mais arriscada.Por exemplo, há receios de que o ambiente económico na Europa esteja propício a uma estagnação da atividade, mas com preços elevados (estagflação), o que levanta graves problemas de poder de compra e de viabilidade financeira a famílias e empresas, e problemas ao BCE, que diz precisar de subir juros para controlar os preços (trazer a inflação para 2%), mas sem danificar muito as economias.Christine Lagarde, também à margem do G7, respondeu aos jornalistas que está "sempre preocupada, é o meu trabalho"."Podemos fazer muito para acalmar os mercados e dar-lhes um impulso positivo, como estas discussões que estamos a ter aqui", afirmou outro dos participantes da conferência, Joachim Nagel, presidente do todo poderoso banco central alemão, o Bundesbank.Tal como Lagarde, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, está apoquentada com o curso da inflação e pediu aos governos que "evitem medidas que agravem a situação"..BCE mantém taxas de juro, mas sinaliza que está muito pressionado a subir em junho