Mário Centeno, o antigo governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças do governo PS, está fora da corrida à vice-presidência (VP) do Banco Central Europeu (BCE) por decisão do atual executivo PSD-CDS, estão a avançar a SIC Notícias e a Lusa.Na reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro (o Eurogrupo), que decorre esta segunda-feira em Bruxelas, houve uma primeira ronda de votação dos seis candidatos à VP do BCE.Segundo a SIC Notícias, que cita fontes oficiais em Bruxelas, a referida votação "durou cerca de uma hora", mas depois "foram retiradas as candidaturas do antigo ministro das Finanças da Lituânia, Rimantas Sadzius, e do governador do banco central da Estónia, Madis Müller, iniciando-se uma segunda volta com quatro candidaturas, incluindo a de Mário Centeno".No entanto, explica a SICN, "as candidaturas do português e do governador do banco central da Letónia, Martins Kazaks, foram as menos votadas" e, assim, "foram convidados a desistir".Segundo a Lusa, "o Governo português retirou a candidatura do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro Mário Centeno à vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE), numa segunda ronda de votações na reunião do Eurogrupo em Bruxelas".Como noticiou o DN/DV, na passada quinta-feira, a comissão de Economia e Finanças do Parlamento Europeu (PE) veio dar gás ao nome do português, ao apoiar explicitamente o ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, e o atual governador do Banco Central da Letónia, Mārtiņš Kazāks, "como candidatos preferenciais para o cargo" de vice na comissão executiva (a cúpula do conselho de governadores), que vaga no próximo mês de maio, com a saída do espanhol Luis de Guindos.Além destes dois (Centeno e Kazāks), Olli Rehn, atual governador do banco central da Finlândia, antigo comissário europeu da Economia e ministro da Economia no seu país, que já era visto como grande favorito nos círculos de Bruxelas e Frankfurt.Na reunião do Eurogrupo desta segunda-feira, os dois candidatos preferidos pelo PE caíram e, assim, diz a SICN, "passaram à derradeira votação e consequente eleição o governador do banco central da Finlândia e ex-comissário europeu" Olli Rehn, mais "o governador do banco central da Croácia, Boris Vujcic".Governador croata ganha a corridaHá minutos veio a confirmação: segundo a agência Bloomberg, "o presidente do banco central da Croácia, Boris Vujcic, foi nomeado pelos ministros das Finanças da Zona Euro como próximo vice-presidente do Banco Central Europeu".Recorde-se que estavam na corrida ao lugar ocupado pelo espanhol De Guindos (cujo mandato termina em maio) seis pessoas: Mário Centeno (Portugal), Mārtiņš Kazāks (Letónia), Madis Müller (Estónia), Olli Rehn (Finlândia), Rimantas Šadžius (Lituânia) e Boris Vujčić (Croácia).O nome que venceu – Boris Vujčić – será agora "recomendado" ao Conselho Europeu, que o deverá escolher a título definitivo.Esta escolha que decorreu da votação do Eurogrupo foi por maioria qualificada reforçada, isto é, com o apoio de 72% dos Estados-Membros da Zona Euro (isto é, de pelo menos 16 dos 21 países do euro), com estes a terem de representar, pelo menos, 65% da população da união monetária.Depois da votação final no Conselho na quinta-feira, termina esta primeira etapa.A seguir, terão de ser ouvidos ou consultados BCE e Parlamento Europeu e só depois é que o Conselho Europeu voltará ao assunto e anunciará a decisão final.Miranda Sarmento antecipou dificuldadesAo início da tarde desta segunda-feira, antes da reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças português sinalizou que a vitória de Centeno nesta corrida iria ser "difícil".Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, antes de entrar para para a sala, Joaquim Miranda Sarmento disse que “esta é uma eleição difícil pelas próprias regras, porque o que está em cima da mesa é uma maioria qualificada reforçada e há seis candidatos e, portanto, é natural que nesta reunião possa haver várias rondas até se eventualmente chegar a um candidato que reúna esses requisitos”.E mais: segundo o governante, seria uma “eleição difícil” porque o atual ‘vice’ é “um espanhol, antes foi um português [Vítor Constâncio], antes foi um grego [Lucas Papademos] e há naturalmente equilíbrios regionais com os países do leste, com os países do báltico para os quais é necessário olhar”, recordou o ministro português. Ainda assim, manifestou ter “alguma esperança” na eleição de Centeno. Não aconteceu.(Atualizado 18h20).Trunfos de Centeno no BCE: tem a simpatia de Lagarde e Costa; e Alemanha, França e Itália querem a presidência