Mais de 42% dos créditos para a compra de casa por jovens até aos 35 anos em 2025 foram feitos ao abrigo da garantia pública para o financiamento da primeira habitação, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).Entre janeiro e dezembro de 2025, foram feitos 59.832 contratos para compra de casa por jovens até aos 35 anos, num volume de 11.300 milhões de euros, dos quais 25.519 contratos, no valor de 5.081 milhões de euros, foram ao abrigo deste regime.Assim, no total do ano passado, a compra de casa por jovens com recurso à garantia pública, que permite ao Estado garantir, enquanto fiador, até 15% do valor da transação, representou 42,7% dos novos contratos e 45,0% do montante contratado por mutuários com até 35 anos.No acumulado do ano, o banco central registou 108.759 contratos de crédito à habitação, no valor de 18.962 milhões de euros.Estes valores significam que a garantia foi responsável por um total de 23,5% dos contratos e por 26,8% do montante.Apenas em dezembro, foram celebrados 2.567 contratos ao abrigo deste programa, somando 533 milhões de euros, o que representou 26,4% do total de contratos e 30,1% do montante atribuído.Os contratos ao abrigo da garantia representaram ainda 49,1% dos créditos contratados por jovens até aos 35 anos e 50,9% do montante, os valores mais elevados desde o início deste regime.O BdP acrescentou que no final de dezembro, o montante total disponibilizado pelo Estado “no âmbito deste regime era de 701 milhões de euros, dos quais 59,2% estavam utilizados”.Segundo o BdP, nas regiões do Alentejo, Beira Baixa, Lezíria do Tejo, Terras de Trás-os-Montes e Beiras e Serra da Estrela, em 2025, mais de metade dos contratos de crédito à habitação própria permanente celebrados por jovens foram contratados com a garantia do Estado.Em sentido inverso, o peso das casas adquiridas por jovens com recurso à garantia foi menor na Grande Lisboa e na Região Autónoma da Madeira, representando cerca de um terço.A garantia pública para o crédito à habitação a jovens até 35 anos (inclusive) aplica-se a contratos assinados até final deste ano e permite ao Estado garantir, enquanto fiador, até 15% do valor da transação.Na prática, e conjugando esta garantia com as regras para a concessão de crédito à habitação, a medida permite que os jovens consigam obter 100% do valor da avaliação da casa, em vez dos 90% de limite que vigoram para a generalidade dos clientes.Pode beneficiar desta garantia no crédito à habitação quem tenha entre 18 e 35 anos de idade (inclusive) e que esteja a comprar a primeira de habitação própria permanente cujo valor não exceda 450 mil euros.Os beneficiários não podem ser proprietários de prédio urbano ou fração de prédio urbano e não podem ter rendimentos superiores aos do oitavo escalão do IRS (cerca de 81 mil euros de rendimento coletável anual)..Crédito à habitação dispara em 2024 à boleia dos jovens