O presidente do Conselho de Administração do Milennium BCP, Miguel Maya.
O presidente do Conselho de Administração do Milennium BCP, Miguel Maya.JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Estado português pondera comprar até 5% do banco BCP quando os chineses da Fosun saírem

Governo vê o banco como ativo "interessante" e "rentável", ideal, talvez, para o fundo soberano português. Chineses da Fosun estarão de saída. 5% vale 800 milhões de euros à cotação atual.
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Os chineses do grupo Fosun podem estar interessados em vender a posição de 20,5% que detêm no capital do BCP, um dos maiores bancos privados portugueses e o único cotado em bolsa, atualmente; de acordo com o jornal Expresso, o Estado está a estudar comprar uma parte dessa participação, até um máximo de 5% do capital, para evitar a entrada de acionistas "indesejados" e, ato contínuo, alimentar a composição do futuro fundo soberano que o governo de Luís Montenegro anunciou há meses.

Tendo em conta o atual valor de mercado do BCP (cerca de 16 mil milhões de euros, com cada ação a cotar perto de um euro), se o Estado comprasse hoje perto de 5% do banco, significa que teria de desembolsar cerca de 800 milhões de euros, de acordo com cálculos do DN.

Só para se ter um termo de comparação, é o dobro do que irá custar o alívio adicional do IRS por via da atualização da dedução específica e dos escalões (segundo as Finanças, custa cerca de 431 milhões de euros).

De acordo com uma fonte do Expresso, o ativo BCP, banco presidido por Miguel Maya, é visto com "interesse" por várias razões: é "estratégico", "relevante", tem uma "rendibilidade superior", pode encaixar bem na edificação do fundo soberano portuguê, ideia anunciada há alguns meses pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, ainda que sem grandes detalhes, até agora, mas também porque, se e quando a Fosun sair, pode ajuda a evitar, parcialmente, a entrada de acionistas "indesejados", como mais "bancos e entidades" espanhóis, cuja presença em Portugal já é elevadíssima.

“O Estado revelou interesse em empresas que tenham rentabilidade superior ao que [o Estado] paga pelos juros da dívida” e “tanto a REN como o BCP são ativos atrativos e estratégicos para a economia”, escreve o mesmo semanário, citando a referida fonte.

Nos últimos anos, a Fosun tem vindo a sair do capital do banco e já admitiu continuar a vender mais dessa participação, embora, oficialmente, não exista qualquer processo em curso conhecido.

Com 20,5%, o grupo chinês continua a ser o maior acionista do BCP, sendo esta posição detida pela sociedade financeira Chiado, sediada no Luxemburgo.

O resto do banco pertence à petrolífera angolana Sonangol (19,9%) e o restante está disperso por acionistas de menor dimensão. A posição da Fosun está avaliada ao dia de hoje, em 3,3 mil milhões de euros, segundo contas do DN.

A Fosun é um dos maiores investidores estrangeiros em Portugal. Além do BCP, tem 85% da seguradora Fidelidade (que, em 2014, comprou à Caixa Geral de Depósitos, no âmbito do programa de ajustamento da troika e do governo PSD-CDS), controla a seguradora de saúde Multicare, o grupo hospitalar Luz Saúde, e também tinha, até há poucos anos, 5,3% da REN - Redes Energéticas Nacionais, através da Fidelidade.

Esta sexta-feira (9 de outubro), o Ministério das Finanças anunciou que comprou mais 5,3% da REN à Fidelidade (controlada em 85% pela Fosun), dando sequência ao seu plano de regresso a esta grande empresa, altamente estratégica para o país.

Também se sabe que a Fosun tinha 5,3% da REN. Portanto, esta sexta-feira, o grupo chinês terá saído totalmente do capital da empresa de energia.

Em agosto, o Estado (através da Parpública) tinha adquirido uma primeira posição de 13,7% na REN ao grupo espanhol Pontegadea, do universo do magnata Amancio Ortega, o dono da Inditex e de marcas como Zara. Agora, fica com um total de 19% da REN. O plano do governo é controlar 20% desta empresa. Fica a faltar 1%.

(atualizado 20h10)