Estado português pondera comprar até 5% do banco BCP quando os chineses da Fosun saírem
Os chineses do grupo Fosun podem estar interessados em vender a posição de 20,5% que detêm no capital do BCP, um dos maiores bancos privados portugueses e o único cotado em bolsa, atualmente; de acordo com o jornal Expresso, o Estado está a estudar comprar uma parte dessa participação, até um máximo de 5% do capital, para evitar a entrada de acionistas "indesejados" e, ato contínuo, alimentar a composição do futuro fundo soberano que o governo de Luís Montenegro anunciou há meses.
Tendo em conta o atual valor de mercado do BCP (cerca de 16 mil milhões de euros, com cada ação a cotar perto de um euro), se o Estado comprasse hoje perto de 5% do banco, significa que teria de desembolsar cerca de 800 milhões de euros, de acordo com cálculos do DN.
Só para se ter um termo de comparação, é o dobro do que irá custar o alívio adicional do IRS por via da atualização da dedução específica e dos escalões (segundo as Finanças, custa cerca de 431 milhões de euros).
De acordo com uma fonte do Expresso, o ativo BCP, banco presidido por Miguel Maya, é visto com "interesse" por várias razões: é "estratégico", "relevante", tem uma "rendibilidade superior", pode encaixar bem na edificação do fundo soberano portuguê, ideia anunciada há alguns meses pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, ainda que sem grandes detalhes, até agora, mas também porque, se e quando a Fosun sair, pode ajuda a evitar, parcialmente, a entrada de acionistas "indesejados", como mais "bancos e entidades" espanhóis, cuja presença em Portugal já é elevadíssima.
“O Estado revelou interesse em empresas que tenham rentabilidade superior ao que [o Estado] paga pelos juros da dívida”, referiu fonte do sector financeiro, sob anonimato, prosseguindo que “tanto a REN como o BCP são ativos atrativos e estratégicos para a economia”, escreve o mesmo semanário, citando a fonte.
(em atualização)

