Estado fecha regresso à REN nos 19% após comprar posição da Fidelidade
O Estado português deu esta sexta-feira (9 de outubro) por concluído o processo de reforço acionista na REN – Redes Energéticas Nacionais ao alcançar uma participação de 19% do capital social. Através da Parpública, o Executivo fechou um acordo com o Grupo Fidelidade para a compra da totalidade da sua posição de 5,3% na gestora das redes energéticas.
A operação, anunciada em comunicado pelo Ministério das Finanças, depende ainda do visto prévio do Tribunal de Contas para ser concretizada.
Embora o mandato inicial conferido pelo Governo à Parpública autorizasse a aquisição de "até 20%" do capital, a tutela clarificou que não irá prosseguir novas compras: "Nesta fase, o Governo entende que o objetivo de participação na REN encontra-se concluído", assinala o comunicado oficial, justificando a decisão com a necessidade de "defender o interesse público e preservar um ativo estratégico para o país".
A aquisição abrange o lote de ações detido pelo grupo segurador controlado pela chinesa Fosun (que integra entidades como a Fidelidade, a Via Directa, a Fidelidade Re, a Multicare e a Fidelidade Assistência). À cotação de mercado desta sexta-feira, os 5,3% estão avaliados em cerca de 125 milhões de euros. Contudo, os termos financeiros finais e o preço por ação acordado entre as partes só serão conhecidos após a validação do Tribunal de Contas, "momento para o qual se remetem mais detalhes da operação", sublinha o Ministério das Finanças.
Este desfecho representa a segunda e última etapa do plano delineado em agosto pelo Executivo liderado por Luís Montenegro. A primeira fase ficou concluída em setembro, na sequência do visto concedido pelo Tribunal de Contas a 1 de setembro de 2026, com a compra da totalidade da participação de 13,7% detida pela espanhola Pontegadea Inversiones, veículo de Amancio Ortega, por 389,8 milhões de euros (4,25 euros por ação).
Com a absorção da posição da Fidelidade, o Estado solidifica a posição de segundo maior acionista da concessionária das redes elétricas e de gás natural, imediatamente atrás da State Grid Corporation of China, que detém 25%.
As ações da REN encerraram a sessão deste dia a cotar nos 3,535 euros, fixando o valor de mercado da empresa em cerca de 2,36 mil milhões de euros.
Fidelidade considera que foi o "momento oportuno" para a venda
A Fidelidade considerou que este foi o “momento oportuno” para a venda ao Estado português dos 5,32% que detém na REN, após uma valorização superior a 40% da participação nos últimos dois anos.
Em resposta por escrito à Lusa, a seguradora apontou ainda o interesse manifestado pelo Estado em adquirir até 20% do capital da REN e a recente evolução da estrutura acionista da empresa, “caracterizada por um peso maior de investidores estratégicos”, entre os fatores considerados na decisão.
A Fidelidade explicou que a participação na REN teve “sempre uma natureza essencialmente financeira” e estava inicialmente prevista para um período de aproximadamente dois anos, em linha com as políticas de investimento da seguradora.
“Esse período foi-se, no entanto, estendendo até ao presente em função da solidez, estabilidade e rentabilidade da empresa e da reconhecida qualidade técnica, humana e de governo da sociedade”, acrescentou.
Neste contexto, a seguradora considerou que “a operação, a concretizar-se, poderá permitir uma valorização adequada do investimento realizado e, simultaneamente, poderá ter um impacto positivo no capital de solvência da seguradora, reunindo-se assim as condições para considerar este um momento oportuno para a alienação da participação”.

