José Lopes, diretor-geral da Easyjet para Portugal.
José Lopes, diretor-geral da Easyjet para Portugal.

easyJet pede ao Governo que não deixe filas nos aeroportos chegarem ao "extremo". "Há passageiros que perdem os voos e não voltam"

O diretor da low cost em Portugal, José Lopes, pede flexibilidade ao Executivo com o sistema europeu de controlo de fronteiras e apela a que o reforço de agentes da PSP nos aeroportos seja acelerado.
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O verão está à porta e o aumento do tráfego nos aeroportos nacionais afigura-se como uma das principais preocupações dos operadores, numa altura em que a implementação do novo sistema europeu de controlo automatizado de fronteiras externas, o Entry/Exit System (EES), tem motivado longas filas de espera para os passageiros de fora do espaço espaço Schengen. É neste sentido que a easyJet pede ao Governo que seja flexível no uso deste mecanismo durante os próximos meses de maior afluência de viajantes.

“Considerando a importância que o turismo tem para o país, apelamos a que o EES seja gerido com alguma flexibilidade. Este é um problema que nos tem vindo a preocupar seriamente. O nosso pedido é que o sistema seja desligado quando as filas começarem a ficar maiores e que não as deixem chegar ao extremo”, apelou esta quarta-feira, 17, José Lopes.

O diretor da easyJet em Portugal, que falava aos jornalistas em Faro, à margem das comemorações do quinto aniversário da base da low cost na região, solicitou ainda ao Executivo que “acelere” a implementação das medidas já anunciadas, nomeadamente no que respeita ao reforço do número de agentes da PSP previsto para julho.

“É preciso minimizar o impacto, que irá sempre existir. As filas serão sempre maiores face ao ano passado, mas é fulcral que com investimento se minimizem os constrangimentos”, reiterou.

Recorde-se que, no final de maio, tanto o número de boxes de controlo manual de fronteiras como de e-gates (fronteiras automáticas) foram incrementados no aeroporto Humberto Delgado. Dentro de duas semanas está ainda prevista a alocação de mais 360 agentes nas várias infraestruturas aeroportuárias do país, conforme garantiu, esta quarta-feira, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, no Parlamento.

José Lopes lamenta o escalar dos constrangimentos que têm resultado “num impacto logístico muito grande” e defende que Portugal deveria ter seguido o exemplo da Grécia, que suspendeu o EES para os passageiros britânicos.

O líder da companhia de baixo custo no país alerta para as consequências expressivas para a economia nacional. “Há passageiros que perdem os voos e que, depois desta experiência, não voltam”, afiança.

“Um passageiro que antes era processado num minuto, sem nenhuma disrupção, se for proveniente de um país como o Reino Unido, demora agora cerca de três minutos. Portanto, a fila normalmente triplicaria, a não ser que nós tivéssemos triplicado o espaço. No caso de passageiros oriundos do Brasil ou de África, passa de um minuto para seis minutos”, ilustra ainda.

Faro é um dos "big 5" de destinos de verão. easyJet quer esbater sazonalidade e ter base no Algarve durante todo o ano

Foi uma ideia “louca” quando, em 2021, em pleno período pós-pandemia, a easyJet decidiu inaugurar a sua base sazonal em Faro, num projeto que José Lopes caracteriza como “agressivo e visionário”. Numa altura em que todas as companhias aéreas “cortavam voos”, a low cost decidiu dar o salto de fé e investir em contraciclo. “Foi a decisão correta a tomar no momento e Faro liderou a recuperação da easyJet depois da covid”, rememora o diretor da companhia em Portugal.

A importância da capital algarvia na rede operada pela britânica assume hoje um lugar de destaque. “Faro não é só um ponto no nosso network, ocupa um lugar de protagonismo e é um dos grandes ‘big five’ de destinos de verão de toda a Europa. É o único português, os outros quatro são espanhóis. É um destino que tem relevância enormíssima e tem muito potencial para continuar a explorar”, refere o responsável.

José Lopes escuda-se nos números para sustentar os argumentos; desde que a easyJet começou a operar voos em Faro, em 1999, a companhia transportou 27 milhões de passageiros e gerou um impacto para a economia regional de 8,3 mil milhões de euros. Por ano, o impacto no PIB do Algarve ascende aos 650 milhões de euros, atesta.

A oferta para este verão contempla 18 rotas - que ligam o sul de Portugal a destinos como o Reino Unido, França, Países Baixos e Suíça - e 1,7 milhões de lugares, o que se traduz num aumento da capacidade de 3% face a 2025.

Atualmente, a transportadora emprega ainda 150 profissionais na base algarvia, operando nove aviões durante o verão - quatro deles baseados - e cinco no inverno. O objetivo para o próximo ciclo de investimento é manter a atividade ao longo de todo o ano.

“Continuamos a dar passos mais à frente e queremos continuar a passar a mensagem de que o Algarve não é só verão nem sazonalidade. Queremos esbater cada vez mais esta sazonalidade e inverter os fluxos para que o Algarve dependa cada vez menos do exterior. É o aeroporto português que mais depende do tráfego inbound, com um peso de 95% a 98%. Queremos que seja um mercado mais equilibrado ao nível do que é Porto e Lisboa”, explica.

Ainda assim, há desafios que ameaçam refrear os planos. “Infelizmente, neste momento, a conjuntura internacional não está ao nosso lado, os custos de combustível subiram exponencialmente. Queremos acreditar que os preços de combustível vão começar agora a baixar para que estes planos possam estar em cima da mesa. É algo que está no nosso plano de trabalho para os próximos cinco a 10 anos e gostaríamos que se concretizassem o mais rapidamente possível, mas estará muito dependente da conjuntura internacional e da própria diversificação do turismo no Algarve”, justificou José Lopes.

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