Consumidores estão a ficar indiferentes à guerra e resistem ao fim do cessar-fogo anunciado por Trump
Os consumidores da União Europeia (UE) e da Zona Euro parecem estar a ficar indiferentes à guerra e ao agravamento da situação no Médio Oriente, tendo o respetivo nível de confiança de cerca de 23 mil famílias, medido pela Comissão Europeia (CE), melhorado nas últimas semanas, apesar de a situação militar e energética cada vez mais tensa e incerta.
De acordo com o novo estudo de Bruxelas (abre em pdf), que apura uma primeira estimativa rápida para o referido indicador, divulgado esta sexta-feira (21 de agosto), "em agosto de 2026, a estimativa rápida da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia (DG ECFIN) mostra que o indicador de confiança dos consumidores permaneceu praticamente inalterado na União Europeia", tendo registado, aliás, "uma ligeira subida de 0,1 pontos percentuais face a julho".
No caso da Zona Euro, até melhora e de forma mais clara, "aumentando 0,4 pontos percentuais" entre julho e agosto, mostra a estimativa rápida.
A Comissão observa que, "ainda assim, os níveis de confiança continuam relativamente baixos" e em território negativo (saldo das respostas estremas, portanto, a maioria dos consumidores ainda fazem uma avaliação negativa da situação), mas em todo o caso, em agosto, na UE, o índice ainda subiu ligeiramente para -15 pontos".
Na Zona Euro, o balanço da confiança é negativo, como sempre tem sido desde 2010, pelo menos, mas entre julho e agosto melhorou quatro décimas, para -15,5 pontos. E bem melhor do que em abril, logo depois do início da guerra contra o Irão, altura em que afundou para -20,5, o pior registo desde final de 2022, o primeiro ano da guerra da Ucrânia.
Ainda assim, ambos os indicadores mantêm-se "abaixo da respetiva média de longo prazo", avisa a CE.
Este importante índice de confiança é usado, por exemplo, pelo Banco Central Europeu (BCE) na avaliação das possibilidades ao nível das taxas de juro e pela própria CE quando desenha e avalia medidas a propor aos Estados-membros. A média histórica do indicador é -10. Portanto, apesar de resistir às más notícias, o nível de confiança está de facto, bastante abaixo do registo histórico.
Recorde-se que estas medições da Comissão acontecem já depois de, a 8 de julho, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado o fim do cessar-fogo na guerra contra o Irão, reatando graves hostilidades militares no Golfo Pérsico, interrompendo a circulação de bens como petróleo no Estreito de Ormuz.
E, pior, reacendendo ataques noutro importante estreito vizinho (Bab el-Mandeb, que liga o Mar Mediterrâneo ao Oceano Índico, via Mar Vermelho e Canal do Suez).
Esta deterioração da situação foi bastante para conduzir a uma nova e substancial subida do preço do petróleo e de outras matérias primas vitais.
No final de julho, a mesma CE publicou o estudo completo (sentimento económico relativo a julho) com os vários indicadores de confiança (consumidores, empresários da indústria, serviços, comércio e construção) e dele também ressalta a ideia de que há uma certa imunidade às más notícias, apesar da alta volatilidade e forma inesperada com que vão surgindo.
"A confiança dos consumidores aumentou significativamente (+1,9 pontos), impulsionada pela melhoria de todas as suas componentes: as expectativas dos consumidores relativamente à situação económica geral do seu país, a sua avaliação da situação financeira passada e futura dos agregados familiares, bem como as suas intenções de realizar compras de bens de elevado valor", explicou a Comissão nessa edição de julho.
Todos os setores empresariais estavam mais confiantes, menos a construção.

