China regista maior aumento de inflação desde 2023
ANDRES MARTINEZ CASARES/EPA

China regista maior aumento de inflação desde 2023

A China enfrenta uma fraca procura interna desde a pandemia da covid-19, devido, em parte, à prolongada crise do setor imobiliário e a um mercado de trabalho cada vez mais difícil.
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Os preços no consumidor na China registaram, em dezembro, a maior subida homóloga desde 2023, segundo dados oficiais divulgado esta sexta-feira, 9, num sinal encorajador, apesar de persistirem pressões deflacionistas na segunda maior economia do mundo.

A China enfrenta uma fraca procura interna desde a pandemia da covid-19, devido, em parte, à prolongada crise do setor imobiliário e a um mercado de trabalho cada vez mais difícil, especialmente para os jovens.

O índice de preços no consumidor (IPC), principal indicador da inflação, subiu 0,8% em dezembro, em termos homólogos, de acordo com o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE).

Esta foi a terceira subida consecutiva e está em linha com as previsões de um grupo de economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg. O IPC não registava uma variação tão elevada desde fevereiro de 2023 (+1,0%) e março de 2023 (+0,7%).

“As medidas políticas para impulsionar a procura interna e estimular o consumo continuaram a produzir efeitos”, afirmou, em comunicado, Dong Lijuan, estatístico do GNE.

Em termos mensais, os preços no consumidor subiram 0,2% entre novembro e dezembro.

A inflação “atingiu o nível mais alto desde a reabertura da China” após o fim da política de “zero covid”, que paralisou a economia, destacou, numa nota, Zichun Huang, economista da consultora Capital Economics.

No entanto, este aumento é “em grande parte explicado por um aumento conjuntural dos preços dos alimentos devido às condições meteorológicas” e, “sem medidas mais robustas do lado da procura, acreditamos que o excesso de capacidade e as pressões deflacionistas associadas vão persistir nos próximos anos”, advertiu a analista.

Já o índice de preços na produção (IPP), que mede o custo das mercadorias à saída das fábricas, prolongou em dezembro a tendência de queda, ao recuar 1,9%, em termos homólogos, segundo o GNE.

Ainda assim, esta descida foi menos acentuada do que a registada em novembro (-2,2%) e tem vindo a atenuar-se ao longo dos últimos meses.

A queda do IPP traduz margens mais reduzidas para as empresas industriais, envolvidas numa intensa guerra de preços que as autoridades tentam travar há vários meses.

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