A taxa de juro principal da Zona Euro (taxa de depósito) subiu de 2% para 2,25% em meados de junho, já num ambiente de alívio gradual, na sequência do cessar-fogo entre EUA e Irão anunciado em meados de maio em vigor, pondo fim a quase três meses de alta tensão na energia e de subidas na inflação, o que fez baixar a agressividade do Banco Central Europeu (BCE): durante umas breves semanas, começou a dar sinais de que, se calhar, não seriam necessárias mais subidas de juros este ano; talvez uma no máximo, e mesmo assim, o tom era de desinteresse gradual num aperto desses.Mas já não é assim, outra vez: o cenário de uma subida em setembro (mais 0,25% para 2,5%) é agora dado como quase garantido e o de duas subidas (com o segundo aperto de 0,25% a acontecer algures em 2027) voltou a ganhar bastante força por causa dos recentes desenvolvimentos, como o fim do cessar-fogo entre EUA e Irão ou o surpreendente anúncio feito pelo Presidente norte-americano que que vai começar a cobrar pela passagem de navios no Estreito de Ormuz, comentam vários observadores.Como referido, o fantasma da inflação elevada (e de juros em alta para arrefecer os preços) reapareceu com força porque Donald Trump, o Presidente dos EUA, anunciou, no passado dia 8 de julho, que o pré-acordo de cessar-fogo assinado "digitalmente" entre a Casa Branca com o regime de Teerão "acabou" na sequência de novos ataques militares de forças iranianas e da resposta dos americanos.No domingo, o Irão foi mais longe e anunciou que o Estreito de Ormuz estava novamente "encerrado até ver". Trump contrariou, replicando que estava "aberto".Já esta segunda, depois de novos ataques mútuos entre os dois países e bombardeamentos iranianos a várias nações do Golfo Pérsico 'amigas' dos EUA (Barhein, Omã, Kuwait), eis que Trump voltou a chocar os mercados, desta feita com uma espécie de nova tarifa: cobrar pela passagem no Estreito de Ormuz, fazer os países pagarem uma portagem de 20% pela "segurança" dos EUA na região (ver última página).Antes deste novo embate e agudização da incerteza, o preço do petróleo, que desde que a nova guerra começou, no final de fevereiro, chegou a atingir os 120 dólares, desceu na últimas semanas de forma dramática com o vislumbre daquele cessar-fogo, tendo regressado quase a 70 dólares. Mas desde dia 8 de julho, que o custo do crude (assim como de outras matérias primas vitais, como gás, fertilizantes) voltou a subir. Esta segunda, depois de revelada a ideia de portagem, o barril de Brent disparou quase 10% face a sexta, aproximando-se dos 84 dólares e semeando novas camadas de dúvidas entre muitos economistas.De acordo com fontes do mercado monetário, a probabilidade dominante (quase 70%) é que o BCE aumente a taxa de juro de depósito para 2,5% na reunião que termina a 10 de setembro próximo."Os mercados estão a descontar uma probabilidade de 67,5% de que, na reunião de 10 de setembro de 2026, a taxa de juro seja aumentada em 25 pontos base (0,25 pontos percentuais), para 2,5%", diz um analista.Antes desta escalada no conflito, depois de setembro era quase unânime e suportado pelos valores de negociação no mercado monetário de que este ano a probabilidade de acontecer uma nova subida era residual. Agora, já não.Na reunião do BCE que termina a 17 de dezembro, a probabilidade de nova subida de juros (para 2,75%) subiu de quase nula para mais de 30% agora.Segundo o departamento de estudos económicos do BPI, que reagiu antes de se conhecer a ideia de portagem Trump em Ormuz, "o BCE aumentou a taxa de depósito para 2,25% em junho" e "os mercados esperam que o banco central mantenha as taxas inalteradas em julho e avance com a próxima subida em setembro, elevando a taxa de depósito para 2,5%, cenário ao qual atribuem uma probabilidade superior a 80%".No entanto, continuam os economistas do BPI, "a retoma dos bombardeamentos entre os Estados Unidos e o Irão no início de julho voltou a levar os mercados a admitir a possibilidade de a taxa de depósito atingir 2,75% em 2027", recordando que essa probabilidade "tinha caído praticamente para zero após o acordo entre os EUA e o Irão alcançado em junho".Carsten Brzeski, economista-chefe para o mercado global no grupo financeiro de origem holandesa ING, recorda que "a descida dos preços da energia observada em junho aumentou a probabilidade das projeções darem uma inflação global abaixo de 2% em 2027". "Um cenário desse tipo impediria o BCE de avançar com uma segunda subida das taxas este verão? A julgar pelas declarações recentes de Lagarde, bem como pelas de outros decisores de política monetária, a resposta parece ser negativa", lamenta o analista."Na verdade, tudo indica que o BCE continua inclinado a voltar a aumentar as taxas de juro. Enquanto as previsões para a inflação subjacente não forem revistas significativamente em baixa, parece haver poucos obstáculos a uma nova subida. Já saber se um segundo aumento é realmente aquilo de que a economia da zona euro necessita é uma questão bem diferente", adverte..Trump anuncia portagem de 20% sobre todo o comércio do Estreito de Ormuz.Trump diz que os EUA vão tornar-se os "guardiões" do Estreito de Ormuz.Fórum BCE. FMI aponta para riscos da IA: se não for uma bolha, pode ser um problema de dívida.Membro do BCE defende novas subidas das taxas diretoras apesar de baixa do petróleo .Fórum BCE. 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