Trinta e nove empresas de calçado participam de domingo a terça-feira em Milão, Itália, na feira internacional Micam. Esta é uma das 11 iniciativas de promoção externa em oito mercados estratégicos planeadas pelo setor no arranque deste ano. “O setor português do calçado está a intensificar, desde o início do ano, a sua aposta na internacionalização, com a concretização de 11 iniciativas de promoção externa em apenas dois meses, numa iniciativa da APICCAPS em parceria com a AICEP e o apoio do programa Compete 2030”, destaca a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) em comunicado. De acordo com a associação setorial, no mesmo período do ano passado o setor participou em apenas sete iniciativas no exterior.Citado no comunicado, o presidente da APICCAPS, Luís Onofre, salienta que “em apenas dois meses praticamente 100 empresas portuguesas integram ações em mercados internacionais, confirmando o dinamismo e a ambição exportadora do setor”. No âmbito destas iniciativas, as empresas nacionais marcarão presença em oito mercados apontados como estratégicos: Alemanha, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália e Reino Unido.O objetivo é reforçar o posicionamento do calçado português – cluster que exporta mais de 90% da sua produção para 174 países dos cinco continentes, no valor de 2.230 milhões de euros em 2025 - junto de clientes, distribuidores e parceiros internacionais. Uma semana antes da Micam, 29 empresas portuguesas participaram, também em Milão, na feira de componentes para calçado e curtumes Lineapelle, que decorreu de 15 a 17 de fevereiro.Para Luís Onofre, “a forte adesão das empresas às ações internacionais demonstra a confiança no valor do produto nacional e na diferenciação do calçado português, reconhecido pela qualidade, ‘design’ e sustentabilidade”, e assume particular relevância no atual contexto internacional. “As empresas portuguesas de calçado estão a fazer um esforço notável para procurar novos mercados e consolidar os existentes, num momento conjuntural especialmente complexo”, afirma, enfatizando que “a internacionalização continua a ser um eixo central da competitividade do setor”.O dirigente associativo sublinha ainda que esta estratégia reflete a capacidade de adaptação das empresas nacionais: “Mesmo num cenário marcado por incerteza, inflação e retração do consumo em alguns mercados, o setor mantém uma atitude proativa, investindo na promoção externa, na inovação e no reforço das relações comerciais internacionais”, sustenta. As exportações portuguesas de calçado aumentaram 1,8% em volume e 0,8% em valor em 2025 face a 2024, para 68 milhões de pares e 1.718 milhões de euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).Para a APICCAPS, trata-se de “uma evolução moderada, mas ainda assim positiva, num enquadramento particularmente exigente para o comércio internacional”. “Num contexto global marcado por elevada instabilidade económica e comercial, a indústria portuguesa de calçado encerrou 2025 em terreno positivo, contrariando a tendência internacional registada pelos principais produtores mundiais”, salienta a associação..Produção do calçado em Portugal cai 5% para 2,1 mil milhões em 2025 .Indústria faz subir PMI da zona euro para 51,9, mas emprego não acompanha