Os mercados financeiros globais registaram uma recuperação vigorosa esta quarta-feira, 21 de janeiro, impulsionados pela mudança de tom do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à disputa territorial da Gronelândia. O anúncio de um "enquadramento de acordo futuro" com a NATO e a suspensão imediata de sanções comerciais trouxeram o alívio esperado pelos investidores após o pânico da sessão anterior..Trump exclui recorrer ao uso da força para assumir controlo da Gronelândia e acusa Dinamarca de ser "ingrata".Durante a sua intervenção no Fórum Económico Mundial, em Davos, Trump confirmou que os Estados Unidos não irão aplicar as tarifas de 10% que estavam programadas para entrar em vigor a 1 de Fevereiro. Estas taxas visavam oito aliados europeus -- Dinamarca, França, Alemanha, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Países Baixos -- como represália pela resistência à pretensão norte-americana de adquirir a ilha. E a promessa de que os EUA "não usarão a força" para tomar o território, aliada ao progresso nas conversações com o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, foi vista pelos analistas como um recuo estratégico que remove, para já, o cenário de uma guerra comercial ou militar transatlântica.Recuperação em Wall StreetO fecho do mercado em Nova Iorque confirmou o regresso do optimismo, com os principais índices a recuperarem grande parte das perdas de terça-feira:O Dow Jones Industrial Average fechou a subir 1,58%, fixando-se nos 48.781 pontos. O S&P 500 avançou 1,53%, situando-se nos 6.901 pontos e o Nasdaq Composite liderou os ganhos, com uma subida de 1,68%, impulsionado pelo sector tecnológico.Ainda no "verde", o índice de volatilidade VIX recuou significativamente para os 16,90 pontos, sinalizando uma redução do medo entre os investidores. No mercado de obrigações, os rendimentos das Treasuries a 10 anos recuaram para 4,27%, refletindo uma maior estabilidade no mercado de dívida soberana.Impacto nas matérias-primasJá o Ouro estabilizou perto da sua máxima histórica, fechando nos 4.848,69 dólares por onça, enquanto o petróleo Brent se fixou nos 65,24 dólares. Apesar da acalmia nos mercados, a diplomacia europeia mantém-se em alerta, com o Parlamento Europeu a suspender o acordo comercial com os EUA e a preparar uma cimeira de emergência em Bruxelas para amanhã.