A soberania de dados e a segurança energética está no centro das atenções de grande parte das empresas tecnológicas (e não só) de todo o mundo. A Rubidex não foge à regra e aproveita uma "oportunidade que inverte totalmente o modelo global de tecnologia."Quem o garante é Eric Swider, que faz parte do 'board' de diretores na Trump Media Group (detentor da rede social Truth Social) e é também cofundador e CEO da Rubidex. Esta última desenvolve um meio de garantir a soberania de dados (mais ou menos confidenciais), de pessoas ou empresas, que aproveita a mesma tecnologia e meios de segurança a que estão associadas as criptomoedas, como é o caso da Bitcoin.À conversa com o DN e DV, o empresário explica que a Rubidex está focada no "desafio" de tirar a soberania de dados das Big Tech para a "devolver" às pessoas. Em causa estão gigantes empresariais como a Google ou a Meta, por exemplo. São empresas que não cobram pela utilização 'standard', mas reúnem todo um leque de informações sobre os utilizadores, que podem rentabilizar quando desejarem. "Estão a faturar com tudo o que fazemos e monetizam as nossas atividades, localizações, etc.", assinala Swider. "Todas ganham dinheiro assim" e, de acordo com o próprio, isto acarreta riscos para os próprios consumidores."Este modelo requer a perda de privacidade. Tens que estar disposto a desfazer-te dos direitos a privacidade de dados", alerta o próprio. "É crítico haver um sistema que contraria isso e devolve às pessoas a soberania de dados", neste contexto, explica."Quando tens soberania dos teus dados, decides como e quando são monetizados e usados. Mais importante, proteges-te de te tornares parte de um sistema onde um computador regula a tua vida e dita a forma como vives, no dia a dia", de acordo com o fundador da empresa. O próprio reitera, por isso, a importância de "plataformas que devolvam a soberania de dados (...), através da segurança" que envolve os mesmos. "As empresas mais poderosas das últimas duas décadas são aquelas que conseguem reunir mais dados. As mais poderosas do amanhã são aquelas que consigam tirar os dados dessas empresas", garante, mantendo o foco no objetivo que considera realista. "Não vamos conseguir juntar mais dados do que essas empresas", reconhece, mas objetivo é outro. "É levar os dados para outro lado", atira. Mas qual é a proposta de valor da Rubidex nesta matéria?A empresa criou uma solução que permite tirar os dados das bases de dados tradicionais e inseri-los em canais encriptados. Aqui falamos da Blockchain, a mesma tecnologia através da qual são transacionadas as Bitcoin (a par das restantes criptomoedas) e que usa múltiplas camadas de segurança para alcançar "um nível de segurança tão perto de 100% como é possível" no mundo atual. Tal permite que todas as transações sejam absolutamente encriptadas, de forma a ser impossível (até prova em contrário) rastrear quem executou determinada ordem e quem recebeu o respetivo pagamento. De resto, não existe igual, no mundo da tecnologia.Em causa estão blockchains privadas que permitem armazenar, aceder, usar dados. As funcionalidades são dos mais variados âmbitos, desde os acessos das contas bancárias, registos médicos ou e-mails até à utilização remota de funcionalidades como a câmara da porta de casa ou os interruptores da luz, por exemplo. Esta é uma prática cada vez mais comum. Com as chamadas smart homes, é possível usar todo o tipo de aparelhos de forma remota, através de um telemóvel ou smart watch, por exemplo. Para isto, "posso adicionar agentes de IA, que me dão dados importantes, a mim e não às big tech", salienta. É que, quando tal é proporcionado por uma empresa que fatura com os dados dos utilizadores, não sabemos quem pode aceder a tudo o que fazemos. Um cenário que cria questões de segurança... que desaparecem com o uso da Blockchain. "Na Era da Inteligência Artificial (IA)", explica, "muitas pessoas e organizações estão a mudar o foco para plataformas de segurança nativas, as únicas que permitem assegurar a segurança dos dados", diz, numa referência às blockchains privadas e encriptadas que pertencem ao indivíduo. O resultado, explica, passará pela maior soberania de dados, num contexto em que se torna muito mais difícil os piratas informáticos executarem um ataque. É que as informações estarão "sempre encriptadas e, quando não o estiverem, estão em risco", fruto das ameaças cada vez mais desenvolvidas.O trabalho da Trump Media GroupEm simultâneo, Swider é um dos administradores da Trump Media Group, detentora da rede social da Truth Social (à data, um dos principais veículos de comunicação direta do presidente norte-americano com a população de todo o mundo). Ali, o objetivo passa por manter a plataforma "aberta e acessível", num formato gratuito. O próprio apontou ainda para a importância da "liberdade de expressão", sem a qual o mundo se torna "um local muito perigoso" para quem nele vive.