Simon Harris, ministro das Finanças da Irlanda, e Christine Lagarde, presidente do BCE. Bruxelas, 9 de julho de 2026.
Simon Harris, ministro das Finanças da Irlanda, e Christine Lagarde, presidente do BCE. Bruxelas, 9 de julho de 2026.EPA / OLIVIER MATTHYS

BCE mantém taxa de juro em 2,5%, mas em dezembro deve subir para 2,75%

Christine Lagarde está de saída da presidência do Banco Central Europeu, mas ainda deve dar a cara por mais uma ou duas subidas de juros até fevereiro.
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A taxa de juro principal da Zona Euro, a chamada taxa de depósito, definida pelo Banco Central Europeu (BCE), vai manter-se em 2,5%, anunciou a autoridade monetária, esta quinta-feira (29 de outubro).

No mesmo dia em que Christine Lagarde anunciou que vai sair da presidência a 7 de fevereiro de 2027 (cerca de nove meses antes do final do seu mandato), o BCE diz que opta por esperar para ver o que acontece à economia europeia, num momento em que a inflação está muito acima do nível desejado de 2%.

Segundo o Eurostat, o agravamento de preços já vai em 3,8%, quase o dobro da meta programática do BCE, mas como as finanças públicas de alguns países, como França, estão a vacilar e a economia europeia a perder força e a dar sinais de que pode ser pior, os governadores reunidos em Frankfurt decidiram aguardar.

Este compasso de espera deve durar dois meses. Os mercados monetários dizem que é altamente provável que a taxa de juro diretora volte a subir para 2,75% em dezembro, havendo já quem veja novo agravamento para 3% em fevereiro, dias antes de Lagarde sair do posto.

"O conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas", indica a instituição, em comunicado.

"Os preços dos produtos energéticos continuaram a subir, representando riscos em sentido ascendente para as perspetivas de inflação e em sentido descendente para as perspetivas de crescimento."

"Embora os efeitos do choque energético ainda não se tenham feito sentir por completo, a inflação subjacente [inflação total descontando o cabaz da energia e dos alimentos] permaneceu globalmente estável até à data e não se verifica uma resposta significativa dos salários nesta fase", justifica o BCE.

Assim, "é provável que a maior magnitude e duração do choque energético, assim como as implicações em termos de efeitos indiretos e de segunda ordem, conduzam a um aumento da inflação e a uma diminuição do crescimento".

Com a taxa de depósito em 2,5%, nível para o qual subiu em setembro passado, "as condições de financiamento tornaram-se mais restritivas desde a anterior reunião do conselho do BCE, o que provavelmente pesará sobre a inflação e o crescimento".

As taxas de juro do BCE estiveram num planalto de 2%, um nível considerado "bom" e de equilíbrio, durante um ano até junho passado, mas a guerra no Médio Oriente e no Irão, iniciada pelos Estados Unidos e Israel com ataques ao Irão, em fevereiro, fez descarrilar novamente os preços da energia, disparando a inflação global.

O BCE afirma que as suas próximas decisões nas taxas de juro "basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas – à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária".

Mas, como diz a própria autoridade liderada por Lagarde, o caso está malparado. A guerra continua, a incerteza é máxima e prolongada, o preço da energia continua a subir, pelo que os riscos que pendem sobre os preços agravam em alta as perspetivas de inflação e corroem as perspetivas de crescimento da atividade económica.

Simon Harris, ministro das Finanças da Irlanda, e Christine Lagarde, presidente do BCE. Bruxelas, 9 de julho de 2026.
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