Banco de Portugal corta previsões e vê segundo pior crescimento numa década

Banco de Portugal corta previsões e vê segundo pior crescimento numa década

Zona Euro continuará fraca no crescimento permitindo a convergência de Portugal, mas subida em flecha das taxas de juro do Banco Central Europeu surtiu o efeito desejado: através do arrefecimento da atividade, a inflação desceu e converge para os desejados 2%.
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O crescimento previsto para a economia portuguesa neste ano e no próximo foi revisto em baixa de forma significativa pelo Banco de Portugal (BdP), que esta terça-feira revelou novas previsões para a economia portuguesa, no boletim económico de outubro.

Tirando o ano inaugural do choque assimétrico da pandemia (2020), Portugal vai crescer ao ritmo mais baixo em dez anos no próximo ano, diz o banco central, que assim se torna na instituição mais pessimista das principais que fazem previsões para a economia portuguesa (Governo/Ministério das Finanças, Comissão Europeia, FMI, Conselho das Finanças Públicas, OCDE).

O regulador, governado por Mário Centeno, espera que a economia cresça 1,6% este ano, em termos reais (descontando a inflação). Tirando o ano da pandemia, trata-se do registo mais fraco da economia portuguesa desde 2014, o último ano da troika, quando cresceu 0,8%, igualando a marca alcançada em 2015.

Em junho, o banco central previa que a economia nacional viesse a crescer 2% este ano, acelerando para 2,3% no próximo.

Mas não deve ser bem assim. A crise internacional agravou-se, as taxas de juro subiram muitos, o endividamento tornou-se um travão importante da atividade, havendo sinais de moderação internos que estão a dificultar o investimento e o desenvolvimento do mercado de trabalho, sendo que isso reflete-se na dinâmica da conjuntura.

O Banco está, no entanto, otimista na parte do investimento. Admite um certo compasso de espera agora, mas acredita que a descidas das taxas de juro e o maior fluxo de fundos europeus nos próximos anos ajudem o investimento a acelerar e com isso a evitar problemas de maior no mercado de trabalho e na economia como um todo.

Segundo o BdP, para o ano que vem a economia vai crescer 2,1% (em vez dos tais 2,3%). Uma vez mais, tirando o primeiro ano da pandemia (quebra de 8,2% em 2020), em 2025, Portugal vai crescer ao ritmo mais lento desde 2015.

O BdP repara que "estas projeções traduzem-se na manutenção da convergência da economia portuguesa para os níveis de rendimento europeus e num diferencial de inflação face à área do euro aproximadamente nulo".

Ou seja, a Zona Euro continuará fraca no crescimento, mas a subida em flecha das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) surtiu o efeito desejado: através do arrefecimento da atividade, a inflação desceu e converge já para os desejados 2%.

Sobre os preços em Portugal, o BdP diz que "a inflação reduz-se para 2,6%, em 2024, e fixa-se em valores consistentes com a estabilidade de preços nos anos seguintes", ou seja, fica a planar nos 2% ao ano.

"O mercado de trabalho continua a evoluir favoravelmente, com aumento do emprego ― de 1,1% em 2024, 0,6% em 2025 e 0,9% em 2026 ― e dos salários reais ― de 4,6% em 2024, 2,2% em 2025 e 2,0% em 2026" e "a taxa de desemprego permanece baixa", em 6,4% da população ativa entre 2024 e 2026.

"O crescimento da atividade em 2024 é sustentado pelo consumo privado e pelas exportações. A aceleração em 2025–26 reflete o contributo do consumo e melhores perspetivas para o investimento".

No entanto, "a maior sustentação do crescimento na componente do consumo privado é menos virtuosa para a sustentabilidade da economia portuguesa". Entre outras coisas, pode puxar pelo endividamento e pelas importações, já que Portugal é muito dependente do exterior.

Seja como for, "ao longo do horizonte de projeção, a taxa de poupança mantém-se elevada, acima de 11% [do rendimento disponível familiar], refletindo as taxas de juro mais elevadas e comportamentos de precaução por parte das famílias".

O BdP nota que "o investimento abranda em 2024, mas acelera nos anos seguintes, com o alívio das condições financeiras, a melhoria das perspetivas globais e o estímulo dos fundos europeus".

E acrescenta que "o crescimento das exportações reflete o contexto de normalização dos padrões de consumo globais, e a aceleração das exportações de bens. O turismo, apesar de abrandar, continuará a crescer acima do total das exportações".

"Os riscos destas projeções são equilibrados. Para a atividade, mantêm-se riscos de revisão em baixa associados às tensões geopolíticas internacionais e ao cumprimento atempado das metas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Em contrapartida, o consumo privado pode aumentar acima do esperado, em reação ao crescimento projetado do rendimento das famílias", conclui o Banco no novo boletim.

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