Os condutores que decidiram adiar a passagem pelas bombas de combustível no último fim de semana são recompensados logo a partir das primeiras horas desta segunda-feira, dia 1 de junho. O arranque do mês traz consigo um dos maiores alívios do ano nos preços da energia em Portugal, com uma redução simultânea e acentuada nos recibos do gasóleo e da gasolina. Na prática, a descida uniforme de dez cêntimos por litro traduz-se numa poupança direta e imediata de exatamente cinco euros no momento de atestar um depósito médio de 50 litros.Este balão de oxigénio surge após semanas consecutivas de forte volatilidade e de escalada de preços que vinham a asfixiar os orçamentos das famílias e das empresas nacionais. A descida que neste dia 1 de junho se materializa nos postos de abastecimento de todo o país reflete, essencialmente, a forte desvalorização desta matéria-prima nos mercados internacionais. A cotação do barril de Brent, que serve de referência para as importações nacionais, registou uma trajetória descendente sustentada pela redução dos riscos geopolíticos imediatos e pelas expectativas de uma procura global mais moderada, abrindo caminho para esta folga financeira substancial.De acordo com as estimativas de referência do setor baseadas nos dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o preço médio da gasolina simples 95 fixa-se agora nos 1,904 euros por litro, enquanto o do gasóleo simples desce para os 1,837 euros por litro. Feitas as contas à carteira das famílias, estes valores médios implicam que encher um depósito completo de 50 litros passa a custar 95,20 euros no caso da gasolina, e 91,85 euros se o veículo for a gasóleo – um alívio tangível para enfrentar o novo mês.O “travão” invisível do Estado através do ISPO alívio que esta segunda-feira chega ao consumidor final, no entanto, é inferior àquele que a matemática pura dos mercados internacionais antecipava. Se a formação de preços seguisse estritamente a tendência de queda do petróleo, os condutores portugueses estariam agora a beneficiar de um recuo histórico de 12 cêntimos por litro, tanto na gasolina como no gasóleo rodoviário. O travão a esta poupança adicional foi acionado pelo próprio Ministério das Finanças ao final da passada sexta-feira.Através da Portaria n.º 242-B/2026/1, publicada em Diário da República num suplemento de última hora, o Executivo procedeu a um ajustamento das taxas unitárias do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP). Na prática, o Governo reduziu o desconto fiscal temporário que tem vindo a aplicar para mitigar a crise energética, aumentando a carga fiscal cerca de dois cêntimos por litro (incluindo o efeito do IVA)..Encher um depósito de 50 litros passa a custar entre os 91,85€ e os 95,20€. Para quem utiliza o automóvel diariamente para o trabalho, a diferença mensal acumulada poderá representar uma poupança superior a 20 euros..Esta manobra fiscal traduz-se numa absorção de cerca de um quinto da descida que estava prevista pelos operadores de mercado. Para o erário público, o momento revelou-se de oportunidade perfeita: ao subir ligeiramente a taxa de ISP no exato momento em que o mercado bruto registava uma forte quebra, o Estado conseguiu aumentar a receita fiscal arrecadada sem que o cidadão sinta uma subida nominal do preço final na bomba - apenas sentirá que a descida foi ligeiramente menos expressiva do que poderia ter sido.Um balão de oxigénio para as viagens de verãoApesar do amortecedor fiscal imposto pelas Finanças, a descida de dez cêntimos não deixa de representar um marco importante e o timing não podia ser mais oportuno. O arranque do mês de junho assinala tradicionalmente o início do planeamento das deslocações de verão, das viagens de fim de semana e das primeiras rotas de férias das famílias portuguesas.Historicamente, o mês de junho costuma registar picos de consumo de combustível associados ao aumento da mobilidade interna e ao turismo. Com esta redução expressiva de preços, o setor dos transportes e o turismo interno recebem um estímulo acrescido. Para quem utiliza o automóvel diariamente para o trabalho, a diferença mensal acumulada poderá representar uma poupança superior a 20 euros, libertando rendimento disponível para outros setores de consumo numa altura em que a inflação global ainda se faz sentir noutras frentes, como a alimentação.A partir deste dia 1 de junho, as tabelas de preços afixadas nos postos nacionais passam a refletir este novo equilíbrio entre a folga concessiva pela cotação do crude e o controlo orçamental exercido pelo Governo.