Atestar ou encher por completo um depósito de 50 litros de combustível está muito mais caro por causa da nova guerra contra dos EUA e de Israel contra o Irão (que entretanto alastrou ao Médio Oriente).De acordo com cálculos do DN a partir de dados oficiais do governo e do sector das empresas de distribuição de combustíveis, atestar um carro com 50 litros de gasolina simples 95 registou um agravamento médio no custo de 14%, mais 11,5 euros.Antes do primeiro ataque ao Irão, segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia (tutela do Ministério do Ambiente e da Energia), o litro de gasolina 95 custava 1,68 cêntimos; esta segunda, este combustível deve registar a primeira descida desde o começo do conflito (cerca de 1,5 cêntimo), ajustando ligeiramente em baixa para um preço médio que pode rondar 1,91 euros.Estes valores são médias a nível nacional que, por isso, podem variar de acordo com as marcas de combustíveis e a região do país.No caso do gasóleo, a inflação gerada pela nova guerra é muito superior, mais do dobro: neste mês e dois dias de conflito sem fim à vista, o litro do diesel simples subiu mais de 30%, passando de 1,6 euros para 2,08 euros esta segunda-feira.Isto significa que atestar um depósito com 50 litros de gasóleo, que antes da guerra custava cerca de 80 euros, custe agora 104 euros. Mais 24 euros.Ao contrário da gasolina, esta segunda-feira, a subida do gasóleo não desarma, devendo somar mais 1,5 cêntimos (média), de acordo com fontes do sector, como a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC).Para muitas famílias e automobilistas, o impacto é brutal, sobretudo nas zonas urbanas, por causa das deslocações relacionadas com trabalho, transportes e distribuição de mercadorias e serviços.Recorde-se que os apoios do governo têm permitido mitigar o aumento brutal dos combustíveis.No caso de Portugal, este reflete-se quase de imediato (semanalmente, à segunda-feira) a escalada do preço do barril de petróleo, que já superou 119 euros.Na sexta-feira passada, dia 27 de março, o custo do crude terminou a sessão nos mercados internacionais acima dos 105 dólares, mais 45% do que antes da guerra.Sem apoios, diesel custaria 2,29 euros e gasolina 2,11 eurosNa passada sexta-feira, o Ministério das Finanças anunciou que prolongaria, pela quarta semana consecutiva, o mecanismo de apoio que reduz o preço final dos combustíveis, sempre que estes estejam dez cêntimos acima do valor de referência (pré-conflito).Fonte oficial do gabinete o ministro Joaquim Miranda Sarmento enviou uma nota em que refere que, na perspetiva de que esta semana volta a registar-se "uma ligeira descida do preço do gasóleo rodoviário e da gasolina, o Governo decidiu manter o valor do desconto extraordinário e temporário no ISP - Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos em vigor".Assim, "continuará a aplicar-se uma redução das taxas de ISP de 7,6 cêntimos por litro no gasóleo rodoviário e de 4,1 cêntimos por litro na gasolina sem chumbo".O ministério diz ainda que, "considerando a incidência do IVA, o desconto real para os portugueses continuará, assim, a ser de 9,4 cêntimos por litro no caso do gasóleo rodoviário e de 5,1 cêntimos por litro no caso da gasolina sem chumbo".Com estes apoios aos combustíveis introduzidos no contexto do conflito do Irão, e de forma cumulativa (somam aos descontos que se encontravam anteriormente em vigor), "a redução acumulada é de 19,3 cêntimos por litro na gasolina sem chumbo e de 20,8 cêntimos por litro no gasóleo rodoviário".Ou seja, sem esta subsidiação, o litro de diesel estaria agora em 2,29 euros e o da gasolina 95 em 2,11 euros, em média.Economia penalizada e juros mais altosNa semana passada, o Banco de Portugal (BdP) fez o primeiro balanço do que tudo isto pode implicar sobre a economia portuguesa.No novo boletim económico, a autoridade governada por Álvaro Santos Pereira Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento deste ano em 0,5 pontos percentuais face ao que previa há três meses, para 1,8%, algo que reflete "a deterioração do contexto internacional, na sequência do conflito no Médio Oriente, que implicou o aumento do preço dos bens energéticos e a expectativa de agravamento das condições de financiamento".Mas não só. "Os eventos climáticos extremos do início do ano e a evolução mais fraca da atividade no final de 2025 face ao projetado em dezembro também contribuíram para a revisão em baixa".Tudo ficará mais caro também. A inflação dispara este ano de cerca de 2% para quase 3%, as taxas de juro Euribor de curto prazo, a três meses (assumindo as hipóteses do mercado até ao passado dia 13 de março), sobem, em média, de 2,2% em 2025 para 2,7% em 2028, alertou o BdP..Combustíveis. Receita do Estado com ISP está no valor mais alto de sempre.Mercados ainda acreditam no desbloqueio de Ormuz até ao verão, mas desânimo alastra