Air France-KLM e Lufthansa concorrem para a fase final da compra da TAP
Dois dos maiores grupos europeus e mundiais de aviação comercial – Air France-KLM e Lufthansa – avançaram finalmente com as respetivas "propostas vinculativas" para comprar quase metade da transportadora aérea portuguesa TAP, esta quarta-feira (29 de julho), anunciou a Parpública, a empresa que detém as participações empresariais do Estado.
Ao todo, o Estado está a vender 49,9% da TAP (44,9% atualmente na posse da Parpública mais os 5% de capital reservados aos trabalhadores).
"No âmbito da terceira etapa do processo de venda de referência de 44,9% do capital social da TAP, SA consagrada no artigo 13º do Caderno de Encargos (CE) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 141 – B/2025, a Parpública, SGPS, S.A. anuncia que recebeu duas propostas vinculativas, apresentadas pelos interessados convidados a fazê-lo após a conclusão da segunda etapa da referida operação, Air France-KLM S.A. e Deutsche Lufthansa Aktiengesellschaft (“Deutsche Lufthansa AG”) [indicadas por ordem alfabética]", diz o grupo público tutelado pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, em comunicado.
Esta privatização, uma das maiores dos últimos anos, é vista no governo como crucial para manter o rumo das contas públicas (equilíbrio do saldo e novas descidas da dívida).
Como escreveu o DN esta quarta-feira, as várias avaliações que foram saindo até agora apontam para que a companhia aérea tenha atualmente um valor de mercado entre 1,4 mil milhões e dois mil milhões de euros, o que poderá significar um encaixe, para o Executivo, na ordem dos 700 mil a mil milhões de euros. A TAP emprega atualmente 7.500 a 8.000 trabalhadores.
Perante as duas propostas agora enviadas pelo grupo Air France-KLM (com origem em França e Países Baixos) e Lufthansa (Alemanha), a Parpública diz que terá de "elaborar, de modo fundamentado, um relatório que descreva pormenorizadamente as propostas recebidas, bem como as diligências informativas a que se refere o artigo 14.º do mencionado CE, e que contenha uma apreciação daquelas".
Será nesse relatório que vai ser determinado o "mérito absoluto e relativo" das duas propostas dos grupos estrangeiros "em função dos critérios de seleção previstos no n.º 6 do artigo 5.º do mesmo caderno de encargos.
O referido documento será entregue pela Parpública "aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e do transporte aéreo no prazo de 30 dias".
"Se houver lugar a pedidos esclarecimentos, a qualquer um dos proponentes, sobre as respetivas propostas", o período por estender-se por mais de um mês pois o referido prazo terá de ser suspenso "até que sejam prestados todos os esclarecimentos ou decorra o prazo que tenha sido fixado aos proponentes para o efeito".
Recorde-se que, na Europa, uma das mais recentes fusões aconteceu com a compra da companhia aérea italiana Ita pelos alemães da Lufthansa.
Segundo os especialistas, a TAP parece estar numa melhor situação financeira do que a companhia italiana, uma vez que vai ser vendida com as contas relativamente limpas e estabilizadas.
Foi o culminar de um longo e oneroso processo de restruturação que custou aos contribuintes portugueses cerca de 3,2 mil milhões de euros ao longo dos últimos anos.
