Agências de viagens preocupadas com Páscoa apelam a Governo para acelerar apoios
Foto: Paulo Spranger

Agências de viagens preocupadas com Páscoa apelam a Governo para acelerar apoios

Relatórios relacionados com a zona Centro e Ribatejo indicam que "há disrupção em perto de 80% das atividades relacionadas com o turismo, como cafés, restaurantes e hotelaria", diz associação.
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O mau tempo em Portugal deverá ter um impacto reduzido nas viagens no Carnaval, mas pode ter efeitos negativos no turismo na Páscoa, alertou à Lusa a Associação Nacional das Agências de Viagens, apelando ao Governo para acelerar apoios.

O presidente da Associação Nacional das Agências de Viagens (ANAV), Miguel Quintas, disse hoje à Lusa que ainda é "prematuro" avançar com números relativamente a eventuais cancelamentos e alterações nas reservas devido às tempestades que têm atingido Portugal, porque os dados ainda estão a ser recolhidos, mas sinalizou que há preocupações relativamente ao impacto na Páscoa.

O responsável apontou que na época de Carnaval, que este ano se celebra a 17 de fevereiro, "normalmente as reservas são de turistas portugueses e é época baixa", pelo que o impacto deve ser reduzido, nomeadamente tendo em conta que as viagens internas nem sempre envolvem estadias em espaços turísticos.

Ainda assim, já foram cancelados vários eventos, como por exemplo o Desfile Noturno de Carnaval em Rio Maior, previsto para o dia 14, que foi adiado, enquanto a Câmara das Caldas da Rainha cancelou eventos como o Carnaval e o Festival Foz Beats e a Câmara de Tomar cancelou todas as iniciativas do Carnaval 2026, previstas entre 13 e 17 de fevereiro.

Apesar de o impacto no Carnaval poder ser mais reduzido para este setor, "está à porta a Páscoa", alertou Miguel Quintas, apontando que a associação tem recebido alguns relatórios do turismo na zona Centro e Ribatejo de que "há disrupção em perto de 80% das atividades relacionadas com o turismo, como cafés, restaurantes e hotelaria".

O presidente da ANAV, que tem cerca de 100 associados, apontou que 40% a 50% das atividades, maioritariamente na zona Centro, tiveram de fechar devido ao mau tempo, das quais algumas já conseguiram abrir.

"Na Páscoa recebemos muitos turistas, muitos dos quais espanhóis, sendo que a Semana Santa é das semanas mais fortes [de turismo] de Espanha", sinalizou, apontando que já há "congéneres internacionais que estão apreensivos face à Páscoa porque não sabem a dimensão dos prejuízos causados".

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A associação deixou assim o alerta para o Governo para que "se possa fazer chegar o dinheiro às pessoas – famílias e empresas - para se recomporem" após o mau tempo, tendo em conta também que a reconstrução poderá ser lenta, numa altura em que existem alguns constrangimentos na mão-de-obra.

O responsável referiu ainda que, apesar de algumas regiões do país terem sido mais afetadas que outras, as informações que chegam aos turistas internacionais dizem respeito ao país e, habitualmente, neste setor, quando há uma catástrofe, o destino nesse curto período de tempo é substituído por outro de características idênticas.

Desta forma, a situação "só se consegue ultrapassar com uma ação eficaz no terreno com os empresários a reconstruir as atividades económicas afetadas" e a passar a garantia a nível internacional de que houve uma recuperação, concluiu.

O Governo já anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros, tendo prolongado a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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