Luís Montenegro (primeiro-ministro), Joaquim Miranda Sarmento (ministro das Finanças) e António Leitão Amaro (ministro da Presidência).
Luís Montenegro (primeiro-ministro), Joaquim Miranda Sarmento (ministro das Finanças) e António Leitão Amaro (ministro da Presidência).Foto: Leonardo Negrão

Agência de ratings DBRS mantém nota da dívida portuguesa, mas agora sem perspetiva de melhoria

A qualidade do crédito ou da dívida portuguesa continua boa e recomenda-se, mas o outlook fica na mesma. Vários analistas esperavam uma melhoria nesta parte.
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A qualidade do crédito ou da dívida portuguesa continua boa e recomenda-se, mas agora sem perspetiva de melhorias no curto prazo (o outlook ficou "estável"), revelou a agência Morningstar DBRS, uma das cinco que avalia regularmente a qualidade da dívida nacional, esta sexta-feira.

A Morningstar DBRS "confirmou a classificação de crédito de longo prazo" de Portugal no nível "A (elevado)".

Mas, simultaneamente, manteve a "tendência para todas as classificações [de ativos por si avaliados" num patamar "estável", refere em comunicado.

Nos últimos dias, vários analistas ainda aventaram que a "tendência" ou "outlook" ainda podia subir para positivo. Não foi o caso.

A agência sediada no Canadá diz que "a tendência estável reflete a visão da Morningstar DBRS de que os riscos para as notações de crédito estão equilibrados".

"O sólido desempenho económico e orçamental de Portugal continuou em 2025, apesar de um ambiente externo desafiante e incerto. A perspetiva económica de médio prazo de Portugal deverá manter-se favorável, impulsionada por um mercado de trabalho forte, uma política monetária menos restritiva e a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)", explica a empresa.

"Portugal está a caminho de registar um excedente orçamental em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, e o governo projeta um pequeno excedente para 2026".

Na opinião dos avaliadores, "a manutenção de excedentes orçamentais irá provavelmente tornar-se cada vez mais difícil, tendo em conta as crescentes pressões sobre a despesa e os cortes orçamentais implementados e planeados pelo governo".

"Ainda assim, a atual situação orçamental de Portugal e a dinâmica favorável da dívida atenuam os riscos de uma deterioração limitada do equilíbrio orçamental ao longo do tempo", acrescenta a nota agora divulgada.

A DBRS frisa que "após uma queda acentuada nos últimos anos, prevê-se que o rácio da dívida pública desça abaixo dos 90% do Produto Interno Bruto (PIB)", ficando em 2026 "abaixo do nível da zona euro pela primeira vez desde 2004".

Neste ponto de equilíbrio, a agência DBRS diz que "a notação de crédito poderá ser elevada se o rácio dívida/PIB de Portugal descer para níveis significativamente mais baixos ou se existirem provas persistentes de que o país melhora a sua resiliência económica e o seu potencial de crescimento".

Pelo contrário, a nota que reflete a capacidade de o País conseguir honrar o pagamento das dívidas, "poderá ser reduzida se a deterioração das perspetivas de crescimento de Portugal ou um menor compromisso com a disciplina orçamental conduzir a um aumento significativo do rácio de endividamento", escreve a Morningstar DBRS.

(Atualizado 22h30)

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