A qualidade do crédito ou da dívida portuguesa continua boa e recomenda-se, mas agora sem perspetiva de melhorias no curto prazo (o outlook ficou "estável"), revelou a agência Morningstar DBRS, uma das cinco que avaliam regularmente a qualidade da dívida nacional, esta sexta-feira.A Morningstar DBRS "confirmou a classificação de crédito de longo prazo" de Portugal no nível "A (elevado)".Além desta, Portugal e os restantes 20 países da Zona Euro são avaliados por Standard & Poor's, Moody's, Fitch e Scope. São as empresas homologadas para o efeito pelo Banco Central Europeu (BCE).Simultaneamente, a DBRS manteve a "tendência para todas as classificações [de ativos por si avaliados] num patamar estável", refere em comunicado.Nos últimos dias, vários analistas aventaram que a "tendência" ou "outlook" ainda podia subir para positivo, o que não aconteceu, sabe-se agora.A agência sediada no Canadá afirma que "a tendência estável reflete a visão da Morningstar DBRS de que os riscos para as notações de crédito estão equilibrados"."O sólido desempenho económico e orçamental de Portugal continuou em 2025, apesar de um ambiente externo desafiante e incerto. A perspetiva económica de médio prazo de Portugal deverá manter-se favorável, impulsionada por um mercado de trabalho forte, uma política monetária menos restritiva e a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)", explica.Além disso, "Portugal está a caminho de registar um excedente orçamental em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, e o governo projeta um pequeno excedente para 2026".Na opinião destes avaliadores, "a manutenção de excedentes orçamentais irá provavelmente tornar-se cada vez mais difícil, tendo em conta as crescentes pressões sobre a despesa e os cortes orçamentais implementados e planeados pelo governo"."Ainda assim, a atual situação orçamental de Portugal e a dinâmica favorável da dívida atenuam os riscos de uma deterioração limitada do equilíbrio orçamental ao longo do tempo", acrescenta na nota agora divulgada.A DBRS frisa que "após uma queda acentuada nos últimos anos, prevê-se que o rácio da dívida pública desça abaixo dos 90% do Produto Interno Bruto (PIB)", ficando em 2026 "abaixo do nível da Zona Euro pela primeira vez desde 2004".Neste ponto de aparente equilíbrio, a agência DBRS diz que "a notação de crédito poderá ser elevada se o rácio dívida/PIB de Portugal descer para níveis significativamente mais baixos ou se existirem provas persistentes de que o país melhora a sua resiliência económica e o seu potencial de crescimento".Pelo contrário, a nota atribuída à capacidade de o País conseguir honrar o pagamento das suas dívidas "pode ser reduzida se a deterioração das perspetivas de crescimento de Portugal ou se um menor compromisso com a disciplina orçamental conduzir a um aumento significativo do rácio de endividamento", avisa a Morningstar DBRS.(Atualizado 22h30)