Vendas de carros elétricos disparam e crescem 43%

Em números absolutos, passou-se de 236 para 338 veículos elétricos vendidos em Portugal. Setor está em franca expansão mas ainda só vale 1,45% do comércio de ligeiros

As vendas de carros elétricos em Portugal cresceram 43% nos primeiros seis meses de 2016 na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) indicam que foram comprados 338 veículos movidos apenas a baterias no primeiro semestre, com a Nissan a liderar a tabela. Só que este segmento de mercado só vale 1,45% do comércio de automóveis ligeiros.

Este aumento surge num semestre marcado pela redução do incentivo para a compra de carros elétricos em Portugal. O "cheque" foi reduzido a metade, de 4500 para 2250 euros a partir de 31 de março. Mas foi nos meses pós-corte que se registaram mais vendas: em abril e junho, por exemplo, foram registados 60 e 67 carros elétricos, respetivamente. Mais do que em janeiro e fevereiro deste ano, quando foram vendidos 31 e 43 carros. O melhor mês foi março, em que saíram dos stands, de uma só vez, 83 carros.

"O fim do incentivo afetou sobretudo o mercado particular", analisa Jorge Neves da Silva. Mas as empresas estão a compensar essa redução, diz o líder da Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel. "As grandes empresas, as empresas de comércio de proximidade, as empresas de renting e o Estado têm procurado este tipo de automóveis."

É no setor público que já vemos carros 100% elétricos, como no caso da frota da Câmara de Lisboa e do carro do próprio primeiro-ministro. Quando tomou posse, no final de novembro de 2015, António Costa saiu do Palácio da Ajuda num Nissan Leaf, o carro elétrico mais vendido em Portugal, com um total de 156 unidades. O dobro da Renault, com o Zoe (77 unidades), e da BMW, com o i3 (76 unidades). Para Jorge Neves da Silva, o Estado é o setor que mais tem apostado nestes automóveis. "Muitas autarquias vão dar prioridade aos carros elétricos." Lamenta é que o caminho para a propriedade de um destes carros possa ser semelhante ao do GPL. "Sem uma rede capaz não é possível fazer nada."

A pensar nisso, o governo inaugura hoje o primeiro corredor de carregamento rápido do país, que promete encher a bateria do carro em apenas meia hora (ver texto ao lado). Vai ser possível fazer uma viagem entre Lisboa e o Algarve sem correr o risco de ficar sem carga no automóvel. O executivo quer, desta forma, reaproveitar a rede MOBI.E, criada durante os governos de José Sócrates, e apresentar o plano do governo para a mobilidade elétrica até final de 2018.

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