TAP estreia A330 neo com estofos e design nacional

Passageiros da TAP serão os primeiros a viajar no novo Airbus, em 2017. Companhia escolheu empresas portuguesas para projetar imagem

Um modelo Airbus a estrear com design português e couro nacional na cabina. No final de 2017, os passageiros da TAP já poderão voar a bordo dos A330neo equipados com a nova versão de cabina Airspace e a TAP fez questão de contar com empresas portuguesas para projetar a sua imagem. O investimento da companhia nesta encomenda, anunciada ainda em 2015 - são 53 aviões para rotas de longo e médio curso, incluindo 14 Airbus A330-900neo -, não foi revelado. Com estas aeronaves, a companhia passa a dispor do novo conceito de cabina na qual pode projetar a sua marca.

"Estamos extremamente orgulhosos de ser a TAP a primeira companhia a operar a cabina Airspace da Airbus nos A330neo", disse em Hamburgo Trey Urbahn, chief commercial officer da TAP. "Os nossos passageiros e os nossos tripulantes vão poder beneficiar de uma nova experiência de viagem proporcionada por este inovador design de cabina", acrescentou. E foi precisamente para deixar a sua marca que a TAP escolheu a Alma Design, que projetou o interior da cabina, e a Couro Azul, a quem foram contratados os estofos de pele.

Sendo português, "tenho um carinho especial pela TAP e era um projeto que adoraria fazer", diz Rui Marcelino, CEO da Alma Design. A empresa já trabalhava na aviação, mas até agora só com construtoras. "A nossa relação vem de há muito tempo e há dois anos a TAP falou-nos neste projeto e incluiu-nos. Esta é a nossa primeira experiência com uma airliner", explica o presidente da empresa que ganhou o Crystal Cabin Award em 2012, quatro anos depois da sua primeira experiência em aeronaves, que aconteceu em 2008 com a Embraer, no Brasil.

Para a Couro Azul, de cujas fábricas vêm as peles das cadeiras do A330neo, foi a primeira oportunidade numa companhia aérea. O presidente da empresa, que produz 30 mil metros quadrados de pele por mês e possuía experiência noutras áreas de transportes e em alguns jatos privados, diz que "a oportunidade que chegou através da TAP foi de grande importância". Não em números, que Nuno Carvalho prefere não revelar, mas porque a parceria "abre portas a uma nova área de negócio e a novas encomendas".

Quanto ao contributo da Alma Design para os novos aviões da TAP, a empresa "especifica o que a companhia quer para a imagem da cabina". Desde um novo espaço de acolhimento com sistema de iluminação LED de última geração, compartimentos de bagagens maiores, modernas casas de banho, sistemas de entretenimento a bordo IFE e conetividade da mais recente geração, até "tomadas nas cadeiras para carregar o telemóvel, mais conforto em económica ou um espaço diferente para guardar os sapatos em executiva". Foi nas cadeiras que a Alma mais apostou: "É o elemento-chave e queríamos redesenhá-las para que fossem o mais confortáveis possível", diz Rui Marcelino, em Hamburgo, explicando que foi preciso trabalhar diretamente com os fornecedores para que aceitassem essas alterações.

Rui Marcelino não revela o impacto da encomenda no volume de negócios - "é business as usual, mas é um bom business, com muito esforço e empenho". Mas realça um efeito adicional da escolha da Alma: "Nós muitas vezes aconselhamos empresas para certos serviços. Estando neste circuito mundial podemos recomendar mais empresas portuguesas. E isso não tem preço."

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