Presidente da Caixa diz que comissões sobem 2% neste ano

Maioria das comissões não serão alteradas e mais de dois milhões de clientes estarão isentos de custos com o MB Way, garante Paulo Macedo.

A Caixa Geral de Depósitos vai aumentar as comissões em cerca de 2% em 2019, depois de terem aumentado menos de 1% até junho. A informação avançada ontem por Paulo Macedo, presidente executivo do banco estatal, surge depois de notícias que davam conta de fortes aumentos nas comissões cobradas pela Caixa aos seus clientes.

Paulo Macedo garantiu que a maior parte dos clientes do banco não vai sofrer aumentos nas comissões neste ano. "Até ao semestre o aumento foi menos de 1% e até ao fim do ano será 2% ou pouco mais por cento", disse Paulo Macedo aos jornalistas à margem da conferência Banca do Futuro, promovida pelo Negócios, em Lisboa. "A Caixa mantém, para o ano que vem, mais de 90% das suas comissões inalteradas e no MB Way mais de dois milhões de pessoas mantêm-se isentas", salientou.

O presidente da Caixa já tinha afastado que o banco tivesse avançado com um "aumento brutal" das comissões.

Agora, Paulo Macedo veio até dizer que "nunca os custos financeiros foram tão baixos", tanto para particulares como para empresas, apontando as baixas taxas de juro e a menor margem comercial cobrada pelos bancos como motivo.

O rendimento líquido da CGD com comissões e serviços aumentou 13% entre 2015 e 2018, o que corresponde a cerca de 46 milhões de euros, de acordo com as contas da Lusa, com base em dados dos relatórios e contas do banco público.

Segundo o relatório de 2015, os rendimentos do banco público com serviços e comissões atingiram os 440,2 milhões de euros, enquanto os encargos atingiram os 92,7 milhões, resultando num rendimento líquido de 347,5 milhões de euros. Em 2018, os rendimentos resultantes de serviços e comissões atingiram os 483,02 milhões de euros, tendo os encargos diminuído para 89,1 milhões, o que resulta num rendimento líquido de 393,8 milhões de euros. Assim, a subida de rendimentos com comissões e serviços entre 2015 e 2018 foi de 46,3 milhões de euros.

Bancos querem cobrar por depósitos de grandes clientes

No caso dos depósitos, os grandes bancos querem poder cobrar aos grandes clientes para guardar o seu dinheiro. A intenção foi ontem manifestada pelo presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, e obteve a concordância de Paulo Macedo e do presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho.

Para Maya, não faz sentido que os bancos em Portugal não possam cobrar por ter "centenas de milhões" de euros em depósitos de institucionais estrangeiros, que têm aproveitado o facto de em Portugal não poderem ser aplicadas taxas pelos bancos, ao contrário do que sucede noutros países europeus.

Mas afastou a possibilidade de começarem a ser aplicadas taxas a depósitos de particulares e pequenas empresas.

Miguel Maya afirmou aos jornalistas, à margem da conferência Banca do Futuro, que falou com reguladores mas não adiantou mais informação, nomeadamente sobre se uma alteração legislativa pode vir a ganhar forma.

Para os banqueiros, deve haver o mesmo tipo de condições em toda a Europa.

Ao fazerem os seus depósitos em bancos portugueses, grandes clientes institucionais estrangeiros evitam ter de pagar para ter o seu dinheiro depositado em bancos nos seus países de origem.

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