Português à frente de gigante automóvel exclui despedimentos

Stellantis tem mais de 400 mil empregados da Peugeot Citroën e Fiat Chrysler. Redução de custos de contexto é a prioridade.


Reduzir cerca de cinco mil milhões de euros em custos sem cortar postos de trabalho. Este é o principal objetivo de Carlos Tavares à frente da Stellantis, a aliança automóvel que reúne os grupos Peugeot Citroën (PSA) e Fiat Chrysler (FCA) desde o passado sábado. O gestor português vai apostar, por isso, numa diminuição de custos de contexto nos próximos anos.

Estão protegidos, segundo Tavares, mais de 400 mil empregos, cerca de mil dos quais em Portugal, na fábrica de veículos comerciais da PSA Mangualde.

Numa fábrica, o valor acrescentado dos trabalhadores "é de apenas 10%. Isso quer dizer que há toneladas de outras coisas a fazer nos restantes 90% para melhorar a rentabilidade dos produtos. E isso é exatamente o que temos feito. Há muito mais coisas a fazer numa empresa automóvel do que apenas reduzir empregos", explicou ontem o gestor em conferência de imprensa.

Entre esses 90% estão várias etapas do processo de produção, como o transporte dos veículos ou o custo da energia para as unidades funcionarem. A Stellantis, por isso, "é um escudo, porque vai trazer a escala necessária para diluir os custos de investigação e desenvolvimento para um maior volume de automóveis. Isso tornará os nossos modelos mais competitivos e mais acessíveis, mantendo a base de consumidores", detalha.

Não fechar fábricas é uma receita que já foi aplicada, por exemplo, quando a PSA comprou a Opel à General Motors, em 2017. "A Opel teve resultados negativos durante 20 anos. Conseguimos dar a volta [à marca] em 18 meses", recordou. A marca alemã tornou-se tão resistente que era rentável na primeira metade do ano passado, com o impacto da pandemia.

Além da redução de custos, Tavares também pretende aumentar as receitas das 14 marcas desta aliança. "Podemos criar planos de negócio para carros irmãos que sejam muito rentáveis, cobrindo melhor o mercado". Além disso, "se não tivermos uma escala significativa, não poderemos oferecer mobilidade segura, limpa e acessível", destacou. A indústria automóvel vai ter de cumprir limites de emissões cada vez mais apertados - abaixo dos atuais 95 gramas de CO2/quilómetro.

Entre os 12 mil milhões de receitas da aliança em 2019, 44% foram obtidos na América do Norte e outros 46% na Europa, Médio Oriente e África. Apresentar uma nova estratégia para o mercado chinês será fundamental para equilibrar a geografia financeira, tendo sido constituída uma task force para o efeito.

Carlos Tavares abriu ainda a porta para trabalhar com a Apple num automóvel. "Queremos fazer carros limpos, seguros e acessíveis".

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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