Portugal tem 40 mil desempregados 'invisíveis'. Taxa de desemprego aumenta para 8,5%

Segundo um estudo da Euler Hermes, os desempregados 'invisíveis' em Portugal impactam o consumo em cerca de 15 milhões de euros mensais.

Portugal fechou o terceiro trimestre do ano com uma taxa de desemprego de 7,8%, um valor impactado negativamente pelos efeitos da pandemia na economia e que deverá estar aquém da realidade. Segundo um estudo da Euler Hermes, o país tem 40 mil desempregados 'invisíveis' (pessoas sem trabalho que não estão inscritas em centros de emprego nem recebem subsídio de desemprego) , o que eleva a taxa de desemprego em mais 0,7 pontos percentuais, para 8,5%. Esta franja da população implica uma contração no consumo interno da ordem dos 15 milhões de euros mensais, revela o documento.

Esta é uma situação que se verifica em muitos outros países. Em Espanha, por exemplo, o estudo admite que a taxa real de desemprego ronde os 21,9%, superior em quase 6 pontos percentuais à oficial, caso se contabilize os 1,5 milhões de desempregados 'invisíveis'. O país vizinho estará assim entre os que registam maior perda de consumo interno - perto de 927 milhões de euros por mês.

Segundo o estudo da Euler Hermes, acionista da COSEC - Companhia de Seguro de Créditos, existem atualmente "mais de 30 milhões de desempregados "invisíveis", que não estão a ser tidos em conta nas projeções de evolução do consumo interno, e que podem representar, à escala global, uma contração mensal deste indicador em cerca de 12 mil milhões de euros".

O estudo analisou o número de desempregados "invisíveis" nas estatísticas oficiais desde fevereiro de 2020 em 25 países da OCDE e mercados emergentes e concluiu que varia entre os 40 mil em Portugal, 320 mil em França, 350 mil em Itália, 160 mil na Irlanda, 1,5 milhões em Espanha, 5,5 milhões nos Estados Unidos da América, até 13 milhões no Brasil.

Nos Estados Unidos, os analistas da Euler Hermes apontam para que o valor real da taxa de desemprego seja superior à oficial em mais 3,1 pontos percentuais, o que corresponde a uma taxa 10,9% e a um impacto mensal no consumo de cerca de 4,4 mil milhões.

Nos mercados emergentes os números disparam. No Brasil, a taxa de desemprego será superior a 10,4 pontos percentuais à oficial, equivalendo a um impacto mensal de 3,7 mil milhões no consumo. Na África do Sul, o estudo estima mais 16,7 pontos percentuais e no Chile mais 15,8 pontos percentuais acima da taxa de desemprego oficial.

Sónia Santos Pereira é jornalista do Dinheiro Vivo

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