Obras do Ferrovia 2020 voltam a derrapar para o final de 2023 

Infraestruturas de Portugal volta a mexer no calendário e assume novo atraso nos trabalhos da linha da Beira Alta e em parte das intervenções na linha do Norte.

O Ferrovia 2020 é o programa de investimentos de 2,1 mil milhões de euros para modernizar e eletrificar parte da rede ferroviária nacional. Apresentado em fevereiro de 2016 pela Infraestruturas de Portugal (IP), o programa previa que todos os trabalhos ficassem concluídos até setembro de 2021. Quase seis anos depois da publicação do calendário, contudo, a empresa pública assume novas derrapagens no calendário.
Na linha da Beira Alta, que liga Pampilhosa à cidade da Guarda e que depois termina em Vilar Formoso, são visíveis as principais alterações no prazo de conclusão das obras. No troço entre Pampilhosa e Santa Comba Dão, estava previsto que os trabalhos ficassem concluídos até setembro de 2023. No entanto, a IP agora assume que a intervenção apenas estará pronta no último trimestre do próximo ano, mais de três anos e meio depois do prazo inicial (até março de 2020).

A intervenção na Beira Alta é uma das mais importantes do Ferrovia 2020, pois permitirá a circulação de comboios com até 750 metros de comprimento - em vez dos atuais 500 metros. Para que o troço fique nesse estado, contudo, a ligação entre Pampilhosa e Guarda terá de fechar por nove meses, entre o segundo e o quarto trimestres deste ano - anteriormente, a IP previa o encerramento entre o primeiro e terceiro trimestres de 2022.
Os trabalhos também preveem a construção de uma concordância na zona da Pampilhosa, permitindo que os comboios da linha do Norte entrem diretamente na linha da Beira Alta. A concordância pode facilitar a criação de um comboio intercidades Lisboa-Porto com passagem pelas Beiras.

Ainda nas Beiras - mas perto da fronteira - também foi atrasado o prazo de conclusão da modernização do troço entre Guarda e Vilar Formoso. A conclusão dos trabalhos foi adiada por três meses, para o último trimestre do próximo ano, praticamente cinco anos após o prazo inicialmente definido (primeiro trimestre de 2019).
Também a linha do Norte é afetada pela mudança no calendário. A renovação do troço entre Espinho e Gaia deveria ficar pronta no final deste ano. Agora, a IP atira a conclusão dos trabalhos para o primeiro trimestre de 2023 - três anos e meio depois do prazo inicial. Ou seja, os passageiros terão de percorrer a ligação a 30 km/h por mais alguns meses e observar as obras de transformação de estações como Aguda e Miramar.
No terceiro trimestre de 2023, deverá estar pronta a eletrificação do troço da linha do Oeste entre Meleças e Torres Vedras, cujas obras já são visíveis entre Meleças e Sapataria (concelho de Sobral de Monte Agraço).

As restantes obras do Ferrovia 2020 ficarão prontas nos últimos dias de 2023, segundo o calendário da IP. Em causa está a eletrificação do troço Marco de Canaveses-Régua (linha do Douro); a renovação da linha do Norte entre Ovar e Espinho; a eletrificação do troço entre Torres Vedras e Caldas da Rainha (linha do Oeste); da modernização da linha de Cascais; da construção do novo troço entre Évora e Elvas; e ainda da eletrificação da linha do Algarve, nos troços Tunes-Lagos e Faro-Vila Real de Santo António.

Se as obras ficarem prontas no final de 2023, não significa que os comboios elétricos possam imediatamente entrar em circulação. As fases de testes ou certificação "não estão incluídas nas empreitadas", lembrou fonte oficial da IP ao DN/Dinheiro Vivo em julho.

Nas linhas que serão eletrificadas para usufruir dos ganhos de tempo pela substituição dos comboios a diesel por material ligado à corrente, será necessário esperar até 2025 pela chegada dos primeiros novos comboios regionais da CP que foram encomendados à Stadler, no valor de 158,14 milhões de euros. Não há mais benefícios para passageiros e mercadorias porque os troços vão manter as mesmas curvas e pendentes.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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