O caminho para as cidades inteligentes tem de ser conectado e partilhado

Mobilidade e Smart Cities do Futuro é o objetivo que uniu especialistas, empresários e autarcas no palco do Portugal Mobi Summit. Todos defendem que este é um caminho que tem de envolver entidades públicas e privadas, mas também pessoas que são, no fundo, as construtoras dos ecossistemas que se querem sustentáveis.

As cidades não têm muitas alternativas senão serem inteligentes se quiserem ser sustentáveis. Esse é o ponto de partida, mas a questão que se coloca é como atingir o ponto de chegada. A Mobilidade e as Smart Cities do Futuro estiveram no centro do debate que chamou ao palco do Portugal Mobi Summit especialistas nacionais e estrangeiros para refletir sobre os caminhos que os grandes centros urbanos têm de percorrer para alcançar a descarbonização da economia.

Para começo de conversa, não é possível fazer "esse caminho" sozinho, diz Eva Britt Isager, diretora do Departamento do Ambiente no município de Bergen, na Noruega. "Soluções inteligentes passam sobretudo por juntar todas as áreas no mesmo foco e reunir na mesma mesa entidades privadas, públicas, locais, regionais e centrais."

É um bom princípio, mas o maior desafio será conseguir fazer a articulação entre todas as entidades envolvidas nesta missão, adverte por seu turno Marco Espinheira, diretor do Futuro da Câmara de Cascais: "Quanto mais crescem os centros urbanos, mais difícil se torna a coordenação." O rumo da cidade anfitriã do PMS 2019, aliás, passa por definir estratégias verticais em áreas chaves como ambiente, mobilidade e participação civil, todas elas "focadas no cidadão" e assentes também em soluções digitais.

A digitalização dos serviços pode até parecer algo verdadeiramente inovador, mas é preciso não esquecer que esse trajeto já tem um longo historial, relembra João Azevedo Coutinho, presidente da Via Verde, usando como exemplo a prata da casa para mostrar que conectividade ou start ups não são conceitos de uma nova era: "A Via Verde foi uma star up há 25 anos que colocou os carros a comunicar com a infraestrutura", recorda Azevedo Coutinho, olhando para os números atuais para mostrar como dos cinco milhões de carros, quatro milhões estão atualmente conectados através desta plataforma.

Mas, além da articulação entre entidades, conectividade dos serviços ou recursos tecnológicos, é preciso também mudar o chip das políticas públicas, avisa Catarina Selada, diretora do City Lab do CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento do Produto. "As taxas e a legislação punitiva ainda são as medidas dominantes, mas o que faz cada vez mais sentido é, em vez de multar quem prevarica, compensar quem mais evita nas emissões de CO2", defende a especialista, relembrando que a poluição do ar nas cidades, responsável por mais de 500 mil mortes ao ano, é motivo por si só suficiente para acelerar a descarbonização dos centros urbanos.

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