Nasce em Lisboa uma residência para universitários com serviços de cinco estrelas

Já com outro espaço em Lisboa e dois no Porto, Temprano vai abrir em janeiro novo projeto de residências para estudantes. Grupo investiu 40 milhões no novo edifício com 524 quartos na capital.

É já no arranque de 2021 que o Livensa Living Lisboa - Cidade Universitária, edifício de residências premium para estudantes e professores, irá receber os primeiros inquilinos. É será o quarto projeto da Temprano Capital Partners a entrar em operação no país, após um investimento de 40 milhões de euros. Em fase de desenvolvimento, encontra-se o empreendimento Livensa Living Ribeira Coimbra. O portefólio de residências universitárias da Temprano em Lisboa e no Porto abrange quase 2200 quartos (2500 camas), entre os projetos que estão em funcionamento e os que têm data agendada de conclusão.

Terminadas as obras do Livensa Living Lisboa - Cidade Universitária estão terminadas e os 524 quartos/595 camas que compõem o empreendimento, há mais de 100 alunos à espera da entrada em funcionamento da nova residência, que aguarda apenas a licença de utilização da autarquia lisboeta, explica ao Dinheiro Vivo Jonathan Holloway, responsável pelo desenvolvimento desta área de negócio na Temprano.

O empreendimento dispõe de 447 estúdios e 77 quartos duplos, seis dos quais de gama alta, além de um conjunto de espaços comuns que vão desde o ginásio à sala de ioga, parede de escalada, cinema, salas de jogos, salas de reuniões e espaços de coworking, biblioteca, lavandaria, terraço panorâmico e piscina na cobertura.

E se o surto pandémico do novo coronavírus trouxe desafios inesperados a este negócio imobiliário, também trouxe novos concorrentes. Quando a investidora imobiliária europeia com sede em Espanha decidiu apostar no desenvolvimento de residências universitárias em Portugal, o mercado apresentava "um bom potencial".

O empreendimento dispõe de 447 estúdios e 77 quartos duplos

Como refere Jonathan Holloway, a análise "mostrou-nos que havia uma acentuada escassez de alojamentos adequados ou construídos especificamente" para estudantes, num país cujas universidades estão centralizadas nas principais cidades, obrigando os alunos a deslocarem-se das suas regiões de origem, e que registava um crescente número de cursos ministrados em inglês, que começavam a atrair muitos estudantes estrangeiros.

Com base neste racional, a Temprano decidiu, em 2016, apostar neste produto imobiliário em Portugal e, dois anos mais tarde, estreava o seu primeiro projeto, o Lisboa - Marquês de Pombal. O negócio foi ganhando dimensão com a entrada no Porto, cidade onde detém atualmente duas residências universitárias, sempre sob a égide de Livensa Living. No primeiro trimestre do próximo ano, deverá ficar concluído o Livensa Living Ribeira Coimbra, um investimento de 35 milhões de euros, que garantirá à Temprano um portefólio de quase 2500 camas para a comunidade estudantil no país.

Concorrência aperta

Neste ano, a pandemia provocou um terramoto no racional de negócio. As universidades apostaram no ensino à distância e a necessidade de quartos entre a comunidade estudantil caiu abruptamente. Jonathan Holloway não revela as taxas de ocupação atuais das Livensa Living em Portugal, mas reconhece que "os níveis de ocupação estão muito abaixo daqueles que esperaríamos em condições normais", devido quer às restrições das viagens que afetaram drasticamente a mobilidade dos estudantes estrangeiros quer à quebra da procura do mercado doméstico.

A somar, o negócio viu-se confrontado com novos concorrentes: o Alojamento Local e os hotéis. Para o responsável, os mercados de PSBA (alojamento construído para uso específico de estudantes) internacionais deverão demorar entre três e cinco anos a estabilizar.

Para responder à natural quebra da procura, as residências portuguesas da Temprano avançaram com uma política de redução de preços. Como adianta o responsável, "foram implementadas várias medidas para apoiar os residentes durante esta crise", que variaram dentro do portefólio que a empresa explora no país. Além de questões ligadas à segurança dos inquilinos, numa primeira fase, "permitimos que houvesse rescisões antecipadas de contratos e oferecemos descontos nas rendas, já no ano letivo em curso, apostámos em pacotes de incentivos e reduções de preço ajustados" a cada empreendimento.

A Temprano acredita que este é um processo temporário e "as boas notícias sobre as vacinas permitem olhar o futuro de forma mais positiva". Por isso, está focada em consolidar operações e no fortalecimento da sua posição no mercado, já de olho no próximo ano letivo.

Os preços nas residências Livensa Living dependem do tipo de quarto e da duração da estada. O novo projeto de Lisboa arranca com valores de 488 euros/mês para um quarto duplo e de 695 euros para um estúdio, que incluem mobiliário, cozinha e casa de banho privativa, acesso a todas as instalações comuns - piscina, cinema, salas de jogos, wifi e receção 24 horas por dia nos sete dias da semana.

Para Jonathan Holloway, "dada a qualidade do alojamento e dos serviços oferecidos, representa uma excelente relação qualidade/preço". Mais do que serviços de luxo, a filosofia das residências é disponibilizar "espaços que promovem um espírito de comunidade e convivência" e "uma sensação de estar em casa longe de casa".

Os estudantes portugueses são os principais clientes das residências Livensa Living, embora o seu peso não seja idêntico em todas as unidades. Segundo o responsável, e tendo em conta toda a operação, 38% dos inquilinos são portugueses, 13% italianos, 12% africanos, 11% brasileiros, 11% franceses, 7% espanhóis, 1% latino-americanos e o remanescente reparte-se por várias nacionalidades. Esta Torre de Babel "contribui para uma experiência holística dinâmica e muito enriquecedora" da comunidade académica que habita estes edifícios, considera o responsável.

No caso específico da Livensa Living Lisboa - Cidade Universitária, dos alunos inscritos para ingressar agora em janeiro, os portugueses dominam as reservas (63%), seguindo-se os brasileiros (12%) e os franceses (8%), mas contabilizando-se ainda alguns estudantes espanhóis, italianos e alemães, entre outros.

Neste momento, todas as unidades de alojamento para estudantes da Temprano estão sob estritas regras de higiene e segurança. Como refere o gestor, foram impostas restrições ao número de pessoas que utilizam em simultâneo áreas comuns, reforçada a comunicação da necessidade do uso de máscaras e do distanciamento social, suspensos os programas de atividades, disponibilizado gel desinfetante em larga escala e ainda foram implementados protocolos de limpeza e desinfeção mais rígidos, entre outras medidas.

Sónia Santos Pereira é jornalista do Dinheiro Vivo

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