Moratórias têm de acabar mas há risco de retirar apoios cedo

João Leão diz que já estão a ser negociadas soluções para créditos. E admite que levantar apoios antes de tempo pode comprometer a recuperação.

As moratórias "têm um valor muito elevado, mas sabemos que têm de ter fim", disse João Leão, na comissão de Orçamento e Finanças. Em resposta aos deputados, o ministro destacou a importância de conseguir "um equilíbrio muito grande" quando as moratórias terminarem.

De acordo com os números revelados pelo Banco de Portugal no fim do ano, havia em setembro 46 mil milhões de euros sob moratória no país - um quinto de todo o crédito concedido pelo bancos está em pausa; é o terceiro maior rácio da União Europeia.

E isso preocupa o governo, conforme também Pedro Siza Vieira admitiu, num webinar sobre turismo. Considerando o possível impacto do termo das moratórias no turismo, o executivo está já "a discutir com o Banco de Portugal e a Associação Portuguesa de Bancos o que fazer à dívida que existe no setor", adiantou o ministro da Economia. "Eventualmente, uma extensão de maturidades pode justificar-se", admitiu. "Temos a noção de que vamos precisar de lançar instrumentos de capitalização das empresas."

Depois de um 2020 em que a quebra da economia foi menor do que se esperava (7,6% contra os 8,3% esperados), este ano, devido ao impacto em Portugal da terceira vaga da pandemia, é mais desafiante, assume João Leão. "Neste contexto, temos de evitar o perigo de tirar os apoios à economia demasiado cedo", destacou o ministro das Finanças, traçando um retrato sobre o desempenho da economia em 2020 e do que será feito em 2021 - incluindo a necessidade de "rever significativamente o cenário macroeconómico e rever em alta o défice orçamental".

Garantindo que "as medidas extraordinárias vão manter-se enquanto durar a pandemia", Leão acredita que "vamos conseguir entrar em fase de franca recuperação", podendo atingir-se "já em 2022 um nível muito semelhante ao de pré-pandemia". Como sinal positivo, destacou o comportamento dos impostos diretos em 2020. No IRC, o Estado somou receitas 337 milhões acima do previsto e o IRS cresceu 3%, um valor recorde, conforme noticiou o DN/Dinheiro Vivo, que deu ao fisco mais de 13,5 mil milhões em receita.

catia.rocha@dinheirovivo.pt

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