Mobi.e lança rede ibérica de carregadores elétricos

De Lisboa aos Pirenéus já se pode viajar de carro 100% elétrico, com 18 pontos de carregamento do lado português e 40 na parte espanhola.

A rede ibérica de carregadores elétricos acaba de ser lançada pela Mobi.E, num projeto transfronteiriço, apoiado pela União Europeia e com data de conclusão prevista para junho do próximo ano. Na prática, traduz-se em dois projetos-piloto que estão a ser desenvolvidos, um em Portugal e outro em Espanha, em dois corredores de ligação aos Pirenéus e que contam com 18 postos de carregamento rápido, com um total de 50 tomadas, nas principais vias de acesso à A1, A25, A2 e A6, assegurando a viagem por Vilar Formoso, ou pelo Caia.

Do lado espanhol, existem 40 pontos de carregamento para quem segue até Irún, via Valladolid, Saragoça e San Sebastian, ou através de Badajoz, Madrid e Burgos. Para Portugal, a implementação da rede ibérica representa um investimento na ordem de 1,5 milhões de euros, financiada por fundos europeus.

Nesta altura, a Mobi.E, empresa pública que gere a rede de mobilidade elétrica, tem dois mil postos em funcionamento, representando 4250 tomadas, em todo o território nacional, incluindo as regiões da Madeira e Açores. O presidente da empresa Luís Barroso garante que o número de instalações, este ano, já ultrapassa os 40% e que faltam 5% dos municípios para ter cobertura total nos 308 municípios do país - tarefa, aliás que espera cumprir até final de 2021, com, pelo menos, um ponto de carregamento, de acesso público, em cada concelho.

Na estratégia de mobilidade a médio prazo, a Mobi.E quer criar condições para o mercado crescer, o que a levou a colocar a concurso público internacional o desenvolvimento de uma nova plataforma de gestão de meios. Trata-se de um investimento de 1,3 milhões de euros que permitirá atualizar de forma mais "ágil, segura e robusta" os dados atualmente utilizados, adianta o gestor. Neste momento, o processo está em fase de avaliação, com 11 propostas candidatas em análise, esperando-se concluir a escolha até final do ano, para depois desenvolver o projeto em 2022 e disponibilizar a nova plataforma no ano seguinte.

Existem mais de 70 operadores registados e 22 comercializadores de energia e muitas são empresas portuguesas inovadoras que contribuem para dinamizar a economia nacional, congratula-se o responsável. A longo prazo, a Mobi.E quer num horizonte a quatro, cinco anos reunir condições de uma oferta de rede de acesso público a crescer a um ritmo de três dígitos cada ano, ou seja, duplicar anualmente a infraestrutura.

Fontes de receita

No período transitório entre 2015 e 2020, a empresa viveu de subsídios porque teve que investir na rede piloto e disponibilizá-la gratuitamente aos utilizadores. Mas com a mudança de paradigma passou a ter outras fontes de receita. Uma com impacto significativo nas contas foi a concessão da rede-piloto a privados, que deu um encaixe financeiro de 4,9 milhões de euros, valor a ser reinvestido em novos projetos, como é o caso da nova plataforma de gestão de meios, garante o líder da Mobi.E.

Quanto a outras fontes de receitas, Barroso lembra que, de acordo com o regulamento da mobilidade elétrica, para fazer face aos custos que tem com o funcionamento da atividade regulada e a gestão de fluxos financeiros e económicos de toda a rede, a empresa pode cobrar a chamada "tarifa da entidade gestora" cujos valores são definidos anualmente pela ERSE- Entidade Reguladora do Sector da Energia. Além disso, a Mobi.E quer garantir a sustentabilidade da empresa através da venda de outro tipo de serviços, como a consultoria, os estudos e a informação especializada.

Já este ano, a companha colocou à concessão, 12 postos de carregamento ultrarrápidos, agora num modelo de instalação e operação, o que significa que assume a responsabilidade de instalar e depois, quem ganha o concessionário, vai pagando um prémio pela utilização dos postos, assegurando uma fonte de receita periódica e constante no futuro.

Neste momento, já está a funcionar o primeiro desses postos ultrarrápidos, em Castelo Branco, e os restantes estarão disponíveis antes do final do ano, em zonas do interior do país, desde Bragança a Beja, com o objetivo de potenciar a mobilidade elétrica em viagens de longa distância.

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