Mais de 768 mil. Lisboa bate recorde de venda de passes em outubro

Área Metropolitana de Lisboa vendeu 768 265 passes em outubro, superando o máximo de setembro. Realizaram-se 61,7 milhões de viagens.

Seis meses depois do início, os novos passes a 40 euros continuam a atrair utentes na AML - Área Metropolitana de Lisboa. Em outubro, foram vendidos 768 265 títulos de transporte deste género. Este número supera os 723 904 passes vendidos no mês anterior - que já tinha sido recorde -, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pela AML. No último mês, registaram-se 61,7 milhões de viagens válidas.

"Os novos passes Navegante representam 94% dos passes vendidos na área metropolitana de Lisboa, correspondendo 60% dessas vendas ao passe Navegante Metropolitano - passe a 40 euros para todos os transportes dentro da AML -, 17% ao Navegante Municipal - passe a 30 euros para todos os transportes dentro de um concelho - e 14% ao passe para idosos", detalha a entidade liderada por Fernando Medina.

O Navegante Família também está a conquistar cada vez mais utilizadores, representando já 3% da venda de todos os passes. Há 22 284 pessoas, de 5775 agregados familiares, que já beneficiam do passe para três ou mais pessoas a um preço máximo de 60 ou 80 euros, conforme se as viagens forem dentro de um concelho ou para toda a AML.

Na região de Lisboa, também aumentaram os passageiros nos transportes públicos. Foram registados 61,752 milhões de validações em outubro, superando os números de abril - 56,293 milhões de validações no sistema. No último mês, "86% dos passageiros transportados utilizaram títulos do tipo passe, e apenas 14% títulos ocasionais".

Nos primeiros seis meses depois da introdução dos novos passes, houve mais 52,4 milhões de validações nos transportes públicos da AML, mais 19,8%, em média, face ao mesmo período de 2018.

Comboio com maior aumento de procura

Os passageiros desta região utilizam mais o autocarro para as deslocações - representam 48% das viagens -, seguindo-se o metropolitano, com 30%; o comboio, com 19%, e o barco, com 3%. A AML, no entanto, assinala que o transporte ferroviário registou um aumento de procura de 39% em outubro deste ano face ao mesmo mês do ano passado.

Só na Fertagus, o aumento de passageiros foi de 20%. Na CP, também verifica-se maior procura dos utentes nas linhas suburbanos. A Fertagus, contudo, foi a única empresa que reforçou a oferta, com o reforço dos comboios com oito carruagens, na hora de ponta, e o aumento das viagens entre Roma-Areeiro e Setúbal.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.