João Leão admite mais dinheiro para Novo Banco, mas fora da resolução

Ministro das Finanças critica presidente do banco. "As questões colocadas são extemporâneas. Deve concentrar-se em gerir o banco até ao final do ano".

O ministro das Finanças admitiu esta terça-feira, no Parlamento, que o Estado poderá injetar mais dinheiro no Novo Banco, mas a acontecer será fora do acordo de venda decorrente da resolução.

"Neste Orçamento Suplementar não existe nenhuma verba prevista para reforço ainda este ano para o Novo Banco e também queria referir que não está prevista nenhuma verba para além dos 3,9 mil milhões", começou por explicar João Leão, em resposta à deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua.

"A notícia [do jornal Público] faz confusão entre duas coisas: o máximo permitido que pode ser chamado no âmbito de ativos problemáticos são os 3,9 mil milhões. Não há uma relação direta entre a pandemia ou uma crise extrema e o que o novo banco pode avocar no âmbito desse acordo", sublinhou, acrescentando que "uma questão diferente e que se coloca noutros bancos e de havendo eventos extremos podem colocar questões sobre o capital desses bancos", detalhou.

"Os rácios são para cumprir, as normas europeias assim o impõem e num quadro nesse contexto, teremos de encontrar um mecanismo de injeção de capital no Novo Banco, mas seriam mecanismos de injeção que teriam de ser do acionista atual ou de novos acionistas e se houvesse intervenção do Estado seria como acionista, seria diferente e não com o mecanismo do que estamos a falar e que o Estado no âmbito dos ativos problemáticos pode ser chamado. É de uma natureza diferente", frisou.

A crítica a Ramalho

A questão de uma nova injeção de capital no Novo Banco foi levantada pelo presidente daquela instituição numa entrevista ao Jornal de Negócios/Antena 1, indicando que a crise decorrente da pandemia levará o banco a registar, face ao previsto, "necessidades de capital ligeiramente suplementares em relação aquelas que existiam" antes da covid-19.

Declarações que merecem a crítica do ministro das Finanças. "Penso que as questões colocadas pelo presidente do Novo Banco são extemporâneas e deve concentrar-se me gerir bem o Novo Banco até ao final do ano", atirou João Leão na apresentação do Orçamento Suplementar. "É isto que cabe ao presidente do Novo Banco até ao final do ano", lembrando o dinheiro que o Estado já injetou no banco. Notícia atualizada

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Paulo Ribeiro Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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