Investidores pressionam descida de preços nos escritórios e retalho

A incerteza que está a marcar a economia deverá levar a uma quebra no valor das rendas entre 5% a 10%.

A percepção de risco derivada da pandemia do novo coronavírus está a pressionar uma descida de preços dos ativos imobiliários de escritórios e no retalho. Para comprar, os investidores exigem agora uma rentabilidade maior, o que vai obrigar a um ajustamento em baixa do preço. Um inquérito da consultora JLL junto de investidores revela que 73% dos inquiridos admite que as yields (rendimento obtido pelo ativo) dos escritórios irão aumentar no curto prazo e 69% prevê situação semelhante para o retalho.

Ainda assim, "não se trata de vender ao desbarato", sublinha Fernando Ferreira, responsável pela área de capital markets da JLL, até porque as yields estavam em mínimos históricos, bastante abaixo do pico de 2012, quando o país vivia o auge da última crise económica. Esta compressão nos preços "é consequência natural do atual cenário de incerteza" da economia, apesar de os investidores manterem "muito interesse" no país.

Um dos fatores que está a contribuir para a desvalorização dos ativos de escritórios e retalho é a previsível quebra do valor das rendas entre 5% a 10%. A grande maioria (65%) dos participantes no inquérito A Perspetiva do Investidor na Análise pré e pós-Covid-19" recebeu pedidos de isenção de renda dos escritórios durante o período de confinamento e admite ajustamentos em baixa nas localizações prime e, mais acentuadamente, nas secundárias.

No retalho, o impacto da crise sanitária foi ainda maior. O encerramento do comércio determinou uma quebra nas rendas, até porque uma parte desse valor deriva da faturação das lojas (renda variável). E os investidores não esperam para já melhores dias. A quebra de vendas deverá manter-se, o que irá ter reflexos "expressivos" nos centros comerciais. Nas lojas de rua a situação é mais favorável, não sendo previsível fortes quebras de vendas.

Apesar da escassez de oferta de escritórios nas duas principais cidades do país, os promotores deverão adiar os projetos que estão em pipeline. A maioria dos inquiridos admite uma redução nestes investimentos. "O mercado exige uma cautela adicional e os bancos podem também não estar confiantes", explica Fernando Ferreira.

No primeiro trimestre deste ano, os escritórios captaram cerca de 247 milhões de euros de investimento e o retalho 798 milhões de euros.

jornalista do Dinheiro Vivo

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