Crédito para comprar carro bate recordes

Portugueses devem 6,1 mil milhões de euros em crédito automóvel. É o valor mais alto desde, pelo menos, 2009.

O crédito automóvel não pára de acelerar. As famílias portuguesas devem 6,1 mil milhões de euros neste tipo de empréstimos. É o valor mais alto desde pelo menos 2009, data dos dados mais antigos divulgados pelo Banco de Portugal.

Nos primeiros nove meses de 2018, o stock de crédito automóvel aumentou 790 milhões de euros. É a maior subida anual desde que o supervisor divulga estes dados. Os valores incluem empréstimos quer para a compra de carros novos como usados.

Há mais de 830 mil pessoas que têm crédito automóvel, o valor mais elevado desde 2011. Entre janeiro e setembro de 2018 o número de famílias com dívidas para compra de carro aumentou em cerca de 65 mil. Esta aceleração no crédito automóvel tem ajudado o mercado. Foram vendidos 182 mil ligeiros de passageiros novos até setembro, uma subida de 6,5% face ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Além do maior número de empréstimos, os portugueses estão também a pedir mais por cada crédito. Em média, cada contrato de crédito automóvel pressupõe um valor em dívida de 7.367 euros, o mais alto desde o início da série estatística do Banco de Portugal. No final de 2017 o montante médio em dívida era de 6.975 euros.

Supervisor faz avisos

O crescimento do crédito tem motivado alertas por parte do Banco de Portugal. Apesar do malparado no crédito automóvel estar em queda, o supervisor tem avisado para o risco de se fazerem empréstimos com prazos longos.

"No segmento para aquisição automóvel, que em termos de montante representa quase metade do fluxo anual de novos créditos aos consumidores, os contratos com maturidade superior a oito anos representaram cerca de 40% dos créditos contratados no primeiro semestre de 2018 (que compara com 15%, em 2012) ", revela o supervisor no último Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado no mês passado.

O Banco de Portugal considera que "o alongamento do prazo médio contratual introduz maior rigidez no ritmo de redução do nível de dívida, num enquadramento em que o rácio de endividamento dos particulares, em percentagem do rendimento disponível". O supervisor recomenda aos bancos que não concedam crédito ao consumo com prazos superiores a dez anos.

Ainda assim, a recuperação da economia e do emprego permitiu uma redução do malparado no segmento de crédito automóvel. Em setembro existiam cerca de 62 mil pessoas em incumprimento. No pico da crise chegou a haver mais de 135 mil famílias que deixaram de pagar as prestações do empréstimo do carro. Há 330 milhões de euros de crédito automóvel malparado, cerca de metade do valor máximo atingido no final de 2011.

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