Bancos faturam mais 90 milhões em comissões

Receitas de comissões atingiram mais de 1,6 mil milhões de euros até setembro. Deco Proteste pede o fim de alguns custos que considera ilegítimos

Os bancos faturaram mais 90 milhões de euros em comissões nos primeiros nove meses do ano do que no mesmo período do ano passado. No total, BCP, CGD, Santander Totta, Novo Banco, BPI e Montepio conseguiram comissões líquidas de 1,62 mil milhões de euros até setembro, uma subida de 5,7% em relação a 2016. Em alguns casos, estas receitas dos bancos têm sido o resultado de revisões de preçários, uma forma de estas entidades compensarem a perda de rendimento na concessão de crédito devido às baixas taxas de juro.

O Montepio teve a maior subida das comissões líquidas. Aumentaram para 83,9 milhões de euros, mais 19,3%. O banco liderado por Félix Morgado explicou este agravamento com "o impacto favorável da adequação do preçário à proposta de valor do grupo e da maior dinâmica de negócio". O Novo Banco mostrou um acréscimo de 12% nas comissões líquidas. Recebeu mais 231,1 milhões de euros em comissões do que as que pagou. A entidade liderada por António Ramalho justificou a subida com os menores custos nas comissões de emissões de dívida com garantia do Estado. O BPI também aumentou os preços de algumas comissões após o CaixaBank ter assumido os destinos do banco. Nos primeiros nove meses do ano, as comissões líquidas subiram 9,1% para um total 216 milhões de euros.

O BCP gerou 494,6 milhões em comissões líquidas em termos consolidados, que engloba a atividade em Portugal e também as operações internacionais. Em Portugal, o banco reportou uma descida de 1,6% das comissões para 337,7 milhões de euros. O presidente executivo do banco tem garantido que as comissões cobradas em Portugal continuarão estáveis, não havendo margem para mais subidas.

A Caixa Geral de Depósitos reportou um aumento de 1,8% das comissões: 342 milhões de euros. O valor ainda não reflete totalmente o agravamento das comissões que entrou em vigor em setembro. Essas subidas fazem parte da estratégia do banco público para regressar à rentabilidade. O presidente da CGD, Paulo Macedo, tinha defendido antes desses agravamentos que o banco público tinha das comissões mais baixas do mercado. O Santander Totta obteve 248,9 milhões de euros em comissões, um acréscimo de 4,7%, explicado, no relatório trimestral do banco liderado por António Vieira Monteiro, pela "maior vinculação e transacionalidade dos clientes".

Tito Rodrigues, responsável pelas relações institucionais da Deco Proteste, refere ao DN/Dinheiro Vivo que tem havido um aumento consistente das comissões cobradas pelos bancos. E exemplifica com os custos de manutenção de contas que, diz, subiram 45% em dez anos. Tito Rodrigues revela apreensão por ainda não existirem sinais da estagnação das comissões, já que há uma maior abertura de crédito por parte dos bancos, o que poderá ajudar a margem financeira destas entidades. A Deco Proteste tem em curso uma petição, que conta já com mais de dez mil assinaturas, para exigir à Assembleia da República que clarifique se a cobrança de comissões de manutenção de contas e de processamento de prestações são permitidas pela lei.

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