Aposta na rota do luxo pode render nove mil milhões à economia

Venda de bens de luxo está a aumentar e pode valer quase 5% do PIB. Especia-listas reúnem-se para discutir "momento de bonança perfeita" no turismo e no imobiliário

É um ovo de Colombo coberto de diamantes. Com a explosão do turismo e do imobiliário nos últimos anos, Portugal descobriu que pode fazer parte da rota do luxo.

"Costuma falar-se na tempestade perfeita. Neste caso, eu acho que estamos a atravessar um momento de bonança perfeita. Há uma conjugação de fatores muito rara, em que tudo aponta na mesma direção e em simultâneo, tanto na economia como na sociedade. É uma fase de um ciclo que vai acabar por passar, como é normal, mas temos de saber como tirar partido dela a longo prazo", explica ao DN/Dinheiro Vivo Helena Amaral Neto, CEO da Luxulting e Coordenadora dos cursos da área de luxo do ISEG.

Segundo as contas da especialista, a aposta no segmento dos bens de luxo pode render ao país nove mil milhões de euros, o equivalente a 4,6% do PIB atual. O tema vai estar em debate hoje no hotel Altis Belém, na primeira Lisbon Luxury Summit.

A ideia surgiu depois de a capital ter sido palco de duas cimeiras internacionais dedicadas ao tema. No ano passado, o Financial Times reuniu durante três dias 500 participantes no hotel Ritz; no mês passado foi a vez da Condé Nast, dona da revista Vogue, organizar em Portugal o seu encontro anual sobre marcas de luxo.

O evento de hoje conta com oradores como Nuno Oliveira, diretor-geral da Via Outlets, Olivier Rasch, diretor-geral da L"Oréal Luxe, ou Filipe Lourenço, da Private Luxury Real Estate.

"Queremos fazer desta uma causa maior em Portugal. O objetivo é repetir esta conferência todos os anos a partir de agora", afirma Helena Amaral Neto, moderadora do encontro. As metas estão traçadas. "Mostrar o que se faz de melhor no país, perceber o que nos torna diferentes, quais são as mais-valias que temos enquanto marca e traçar o caminho que é necessário seguir para colocar Portugal no mapa do mundo enquanto destino de luxo."

No retrato que faz do setor no país, a docente destaca dois pilares "que não vivem um sem o outro": o turismo e o imobiliário. "O investidor imobiliário pode gerar turismo e o turista pode gerar investimento imobiliário, ao dar notoriedade ao país", explica. É a combinação de ambos, acrescenta, que funciona como trampolim de setores como cosmética, automóvel, joalharia, media ou retalho.

Os números não enganam: a venda de carros de luxo, por exemplo, subiu 7,1% em Portugal em 2017. No ano anterior, tinham sido vendidas quase 7500 casas dentro deste segmento, a partir de 400 mil euros. E as vendas da marca de moda de luxo Furla, por exemplo, aumentaram 27% em 2017.

Os estrangeiros são o alvo por excelência do mercado das cinco estrelas, confirma Helena Amaral Neto. Mas começam a ter concorrência. "Há uma retoma muito grande no mercado português de topo", constata. Em 2017, havia cerca de 68 mil portugueses na liga dos milionários, mais seis mil face ao ano anterior. E a expectativa é de que o número continue a subir - em 2022 deverão ser 77 mil os portugueses com mais de um milhão de euros. Em todo o mundo são mais de 16 milhões no patamar seguinte, o dos multimilionários que detêm 30 milhões de euros em ativos, há 16 mil pessoas.

"São um mercado gigantesco e temos de apostar neles", salienta a consultora. E a aposta tem de ser "na qualidade e não na quantidade. Somos um mercado muito pequeno para querer quantidade, tanto em turismo como em imobiliário. A qualidade permite criar valor e ser sustentável", conclui Helena Amaral Neto.

As cem maiores empresas do mundo de artigos de luxo faturaram 184 mil milhões de euros em 2017. No total, segundo uma estimativa da consultora Bain, o mercado global do luxo que não inclui o setor imobiliário fechou com vendas de 1,2 biliões (milhões de milhões) de euros.

Ler mais

Exclusivos