Hugo Costa, o criador que quer fazer parte da construção da história da moda

Designer português natural de São João da Madeira voltou à Semana de Moda Masculina de Paris e confessa o desejo de continuar a marcar o calendário de um dos mais reconhecidos eventos internacionais de moda

A música escolhida por um dj, o ar industrial da sala e as iluminações de alguns espaços criam o ambiente para a apresentação da coleção de outono-inverno 2018-19 do estilista nacional Hugo Costa. Lá fora, anoitece na cidade-luz e o designer marca mais um passo na carreira.

É a quarta presença consecutiva na Semana de Moda Masculina de Paris, um evento onde Hugo quer estar. "Para mim é uma conquista muito grande e, claro não seria possível sem o apoio do Portugal Fashion", sublinha o criador, que foi lançado em 2016 pela plataforma de jovens criadores Bloom. Desde então integra o calendário reconhecido oficialmente pela Federação Francesa de Moda. O lançamento do designer de São João da Madeira representou também uma estreia para Portugal em Paris, no segmento de menswear .

"Hugo Costa é um dos exemplos recente do que o Portugal Fashion faz bem: identificar novos talentos, ajudá-los a dar os primeiros passos, e acompanhar a evolução dos seus projetos integrando-os na sua plataforma principal de desfiles", aponta o presidente da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), Adelino Costa Matos.

A saborear o sucesso de Paris e de uma apresentação experimental, Hugo Costa não esconde que é neste circuito que quer estar, mas não receia o futuro: "Se um dia tiver que andar em frente, andarei e saberei o que tenho que fazer para continuar a trabalhar bem."

Na quarta-feira mostrou porque continua a fazer parte do roteiro internacional do Portugal Fashion. Presenteou o público parisiense com uma apresentação diferente do convencional desfile. Além do grupo restrito de manequins que se iam deslocando pela sala, as duas horas de apresentação contaram com ecrãs no centro da sala principal, onde passavam propostas do estilista, e com uma sala lateral onde, num cabide ao centro, estava, dispostas cinco peças do estilista que os convidados podiam experimentar. Admitindo o risco, Hugo Costa não escondeu estar "orgulhoso". "É mais despido, há muita coisa a acontecer e é fácil haver problemas", reconheceu ao DN, mas não escondeu que "ver as pessoas a terem coragem para mexer nas peças é uma coisa boa". Ao mesmo tempo que as incentivava a experimentar as suas roupas, Hugo Costa, que também se destaca pelo caráter "no gender" das suas peças, convidava-as a partilhar uma fotografia nas redes sociais, direcionando para a sua página. Usando assim, uma "das grandes tendências de marketing de agora".

O modelo de apresentação foi-lhe sugerido há cerca de mês. Decidiu arriscar também porque já está mais confiante neste tipo de certame. Mas questionado sobre que parte do Hugo de 2016 (ano de estreia em Paris) ainda está presente hoje, a resposta foi curta e imediata: "A essência está cá toda, ainda tremo muito." O que não significa que não tenha confiança no seu trabalho. "Estamos a trabalhar como acreditamos que devemos trabalhar, foi sempre o pressuposto desde início e mantém-se. No final do dia, se é o mesmo Hugo de 2016, muita água passou por este rio", acrescentou. Há confiança no olhar e no trabalho do designer que trouxe uma coleção inspirada no punk - "(A) Way of Punk" -, mas também há "sentidos despertos".

Hugo Costa mantém-se fiel às raízes e não pretende deixar Portugal. "Os produtores estão lá todos, para quê sair. Não faz sentido, eles [criadores estrangeiros] vão lá produzir". E nega a ideia de que estar em Portugal seja uma desvantagem: "É bom, depois podemos simplesmente comprar um voo e vir, fazemos os contactos comerciais, é uma questão de aproveitarmos a globalização." É essencialmente para os negócios que Hugo usa estas apresentações internacionais. "As pessoas entram, os bloggers agradecem o convite, falam da marca, fazemos contactos." O seu maior desejo como profissional é, por isso, "fazer parte dessa construção" e assim entrar para história da moda portuguesa. Ou não quisesse "deixar a sua marca nos livros, na história". "Gostava que as pessoas dissessem "aquele ali lutou, conseguiu, sem sair do nosso portugalzinho, saiu e conseguiu chegar longe", sei que é difícil, gostava de conseguir isso."

Roteiro segue para Roma

Depois desta apresentação na Semana de Moda Masculina, as criações de Hugo Costa juntam-se às dos jovens promissores Inês Torcato e Nycole no Idao-Showroom, em Paris. Estão na cidade até ao próximo dia 24. Já o Cube Showroom acolhe as propostas do jovem David Catalán. Depois, o roteiro internacional do Portugal Fashion segue com estes três criadores da plataforma de jovens promissores, a Bloom, para Roma (Itália) onde a 28 de janeiro vão desfilar no calendário da Altaroma.

A jornalista viajou a convite da Anje

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG