Grandes empresas começam o ano a ganhar mais

PIB cresceu pouco, mas empresas cotadas no PSI 20 tiveram lucros de 845 milhões de euros, mais 10% do que em 2015

O arranque de 2016 não podia ter corrido melhor para as contas da empresas cotadas na Bolsa de Lisboa. Contas feitas, as 17 empresas do índice PSI 20 registaram uma subida de lucros de 75 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano. Até março, as cotadas do principal índice nacional arrecadaram resultados de 845 milhões de euros, mais 10% do que os 770 milhões de euros alcançados em igual período do ano passado. O diagnóstico sobre o estado de saúde das cotadas da Bolsa de Lisboa no primeiro trimestre fica hoje completo quando a Pharol apresentar as suas contas ao mercado.

"A subida de lucros no primeiro trimestre é um bom sinal, no sentido em que demonstra uma sustentabilidade da atividade e uma recuperação em relação aos níveis de crise dos últimos anos, além de augurar um bom desempenho para o resto do ano", afirmou um analista que não quis ser identificado.

Uma análise mais pormenorizada às contas trimestrais (ver tabela) revela que apenas duas cotadas registaram prejuízos: se o Montepio passou de lucros a números negativos, já a Sonae Capital manteve a tendência de perdas face ao período homólogo do ano passado. E além do contributo positivo já esperado dado pelas empresas com maior peso - como a EDP, a Galp Energia e a Jerónimo Martins -, o crescimento de resultados beneficiou igualmente dos lucros da Mota-Engil, que dispararam dos três milhões de euros para os 64 milhões com a venda da Tertir, bem como da Corticeira Amorim, cujas contas trimestrais subiram 65%, para os 14 milhões até março.

No entanto, o prémio para a campeã dos resultados do primeiro trimestre da Bolsa de Lisboa é atribuído à EDP. A elétrica liderada por António Mexia registou lucros de 263 milhões de euros, o montante mais elevado entre todas as cotadas e acima dos valores alcançados pelas rivais Galp Energia e Jerónimo Martins, de 114 milhões e 77 milhões, respetivamente.

Mas as contas das cotadas da Bolsa de Lisboa não se esgotam apenas nos lucros. Olhando para os restantes indicadores financeiros, as receitas registaram um decréscimo e a carga fiscal aumentou no primeiro trimestre, enquanto o endividamento das empresas do PSI 20 manteve-se praticamente inalterado no espaço de um ano.

Receitas recuam até março

No total, as receitas das 17 empresas da Bolsa caíram 7,9%, para os 14,8 mil milhões de euros, até março passado. Na prática, isto significa que faturaram menos 1,3 mil milhões em relação aos 16,1 mil milhões de euros alcançados nos primeiros três meses de 2015.

Entre as maiores quebras percentuais estão as da Galp Energia, cujas vendas e prestações de serviços recuaram 28%, para os 2,8 mil milhões de euros, no primeiros três meses do ano, bem como das instituições financeiras Montepio e BCP. Para este setor foi tido em conta o produto bancário, que, no caso destes dois bancos, recuou 50% e 24%, respetivamente.

Já em sentido inverso, foi à EDP Renováveis que coube a maior subida percentual de receitas, ao cresceram 22%, para os 508 milhões de euros até março, quando há um ano ascenderam a 418 milhões.

Ainda assim, nada de novo no pódio das cotadas com as receitas mais elevadas: a primeira posição volta a ser ocupada pela EDP, com 3,8 mil milhões de euros, acompanhada pela Jerónimo Martins, 3,4 mil milhões, e pela Galp Energia, com 2,8 mil milhões.

"A quebra de receitas no primeiro trimestre do ano acaba por não ser preocupante, uma vez que além de terem recuado ligeiramente, continuam a ser positivas e com números bastante elevados", salientou o analista.

448 milhões para o Estado

Fruto da subida de lucros, as empresas da Bolsa de Lisboa contribuíram mais no primeiro trimestre para os cofres do Estado. Deste modo, o montante pago em impostos pelas maiores empresas cotadas portuguesas ascendeu a 448 milhões de euros, o que representa uma subida de 16% ou mais 60,6 milhões em relação aos 388 milhões de euros em carga fiscal que tiveram de suportar nos primeiros três meses do ano passado.

Por terem sido as empresas com os lucros trimestrais mais elevados, não é de estranhar que a EDP e a Galp Energia surjam como as empresas que mais impostos pagaram até março. Só estas duas energéticas foram responsáveis por 250 milhões de euros pagos em impostos, ou seja, mais de metade do encaixe total feito pelos cofres do Estado nos primeiros três meses.

Dívida acima dos 31 mil milhões

Além da quebra de receitas e dos impostos pagos, as cotadas da Bolsa de Lisboa aumentaram - ainda que de forma ligeira - o seu endividamento nos primeiros três meses do ano, para um valor superior a 31 mil milhões de euros. Assim, o montante de dívida líquida cifrou-se em 31,6 mil milhões de euros até março, o equivalente a um acréscimo de 1,7%, ou de 539 milhões, face aos homólogos 31,1 mil milhões de euros.

Apesar do aumento de apenas 1%, a dívida líquida da EDP superou a barreira dos 17 mil milhões de euros nos primeiros três meses deste ano, liderando de forma destacada este indicador. Mais atrás surgem a EDP Renováveis e a REN, com endividamentos de 3,4 mil milhões e 2,4 mil milhões de euros, respetivamente.

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