França dá ao Reino Unido hipótese de apresentar candidato ao FMI

O nome do governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, que tem nacionalidade britânica, canadiana e irlandesa, circulou inicialmente como um dos possíveis candidatos

O ministro das Finanças francês deu esta quinta-feira ao Reino Unido a possibilidade de apresentar um nome para a corrida à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI), remetendo para sexta-feira a votação para designar um candidato.

O Ministério da Economia e Finanças francês indicou que a decisão de Bruno Le Maire, que coordena o processo de escolha de um candidato na União Europeia (UE), tem como objetivo dar tempo ao Reino Unido para apresentar um candidato até hoje à noite, se assim o desejar.

Este desenvolvimento surge tendo em conta a mudança de governo no Reino Unido, onde no passado dia 24 de julho Boris Johnson substituiu Theresa May como primeiro-ministro.

Antes, o Ministério francês tinha indicado que ainda não foi alcançado consenso total para a escolha de um nome como candidato europeu à sucessão de Christine Lagarde no FMI e anunciou que iria organizar à tarde uma teleconferência com os ministros das Finanças da UE, o que viria a acontecer. Na ocasião, os cinco atuais candidatos confirmaram a sua intenção de permanecer na corrida, segundo a AFP.

Esses cinco candidatos são: o ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, a sua homóloga espanhola, Nadia Calvino, o holandês Jeroen Dijsselbloem, o governador do banco central finlandês, Olli Rehn, e a búlgara Kristalina Georgieva, atual 'número dois' do Banco Mundial.

Para evitar que as conversações se prolonguem, Le Maire decidiu lançar na sexta-feira uma votação que decorrerá segundo as regras europeias de maioria qualificada: é necessário o apoio de 55% dos países membros representando pelo menos 65% da população da UE, o que pode levar a que sejam necessárias várias votações.

O nome do governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, que tem nacionalidade britânica, canadiana e irlandesa, circulou inicialmente como um dos possíveis candidatos, mas já não figurava na lista divulgada na semana passada pelo ministério francês.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?