Fim das moratórias das empresas. "Precipício" vê a banca

Associação de bancos pede esforço "musculado" ao governo e garante que impacto das moratórias que já terminaram é "reduzido".

Se o fim das moratórias para as famílias não representará grande problema para os bancos, o mesmo já não se pode dizer para o caso das empresas. Foi essa a ideia geral deixada pelo presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando Faria de Oliveira, na audição de ontem na Comissão de Orçamento e Finanças a pedido do PCP.
"A questão das empresas tem outra dimensão", começou por indicar o líder da APB. "Desde logo são as empresas que asseguram os empregos e também naturalmente que são quem cria a riqueza", justificou.

Faria de Oliveira assegurou o "empenho" de todos para que no final das moratórias, em setembro deste ano, "não se venha a encontrar um efeito precipício", defendendo a "definição atempada de medidas que permitam uma saída ordenada das moratórias" e para isso pede um "esforço musculado do Estado" para "preservar o tecido produtivo e evitar que haja de facto uma quebra ainda mais acentuada da economia".
O ex-presidente da CGD atira para o governo a responsabilidade de encontrar a solução. "Temos de procurar acelerar a retoma da economia e este empenho é global. Temos tido um diálogo muito intenso, quer com o governo, quer com as confederações empresariais no sentido de dar um contributo ao conjunto de soluções que têm de ser definidas pelo governo, pelo Estado", mas não adiantou detalhes.

"Sob controlo"

Já no que respeita às moratórias dos créditos às famílias, a APB acredita que não haverá problemas de maior, tendo em conta que até agora os incumprimentos do regime privado que terminou no final de março são residuais.
"Até agora o impacto é muito reduzido. A informação recolhida aponta para um número muito baixo de situações atingidas pelo fim das moratórias e os bancos, neste momento, consideram que a situação está sob controlo", assegurou Faria de Oliveira, garantindo que os bancos têm trabalhado com os clientes para evitar eventuais incumprimentos.

O presidente da APB afastou situações "alarmantes", reconhecendo casos de famílias com elementos no desemprego ou com quebra de rendimentos, com "grandes dificuldades", mas "esses casos são tratados pontualmente", frisou. Quanto a uma extensão do prazo das moratórias que terminaram em março, Faria de Oliveira referiu que essa possibilidade é muito "escassa", tendo em conta que seria necessária uma coordenação europeia com autorização da Autoridade Bancária Europeia.

Na mesma audição, a coordenadora do gabinete de proteção financeira da Deco, Natália Nunes, denunciou falhas dos bancos na informação aos clientes sobre as moratórias dos créditos. "Com toda a certeza houve momentos em que se verificou uma violação do dever de informação ao consumidor sendo que muitos deles acabaram por não transitar para as moratórias públicas quando reuniam todos os requisitos."

Em causa o fim do chamado regime de moratórias privadas que terminou no dia 31 de março, abrangendo cerca de 86 mil famílias num montante de 3,2 mil milhões de euros só para o crédito à habitação.

Paulo Ribeiro Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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