Fatura do gás pode descer mais de 40 euros por ano a partir de terça-feira

O regulador ditou uma redução de 6,8% nas tarifas de acesso às redes já a partir do dia 1 de outubro. As empresas que vendem gás natural no mercado livre prometem descontos médios até 3,6% nos preços finais cobrados às famílias.

A partir de terça-feira, os preços do gás natural vão descer em média entre 1,5% e 3,6% nas principais empresas comercializadoras que operam no mercado liberalizado. Em euros, para valores médios de consumo e consoante os diferentes escalões, as famílias podem ver descer as faturas de gás entre 2,5 euros e mais de 40 euros por ano. Uma quebra superior à registada no segundo semestre de 2018, quando o preço do gás natural para o consumidor doméstico teve uma redução de 1,9%.

As percentagens de desconto variam muito de empresa para empresa, mas todas garantiram ao DN/Dinheiro Vivo que vão espelhar na íntegra a redução de 6,8% nas tarifas de acesso às redes (que diz respeito apenas ao termo fixo da fatura) já ditada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). "Para os consumidores fornecidos por comercializadores em mercado, o impacto das variações tarifárias finais na fatura dos clientes depende do respetivo segmento de consumo e das condições tarifárias acordadas com o seu comercializador", explica o regulador.

Os últimos dados da ERSE, de maio de 2019, apontam para 1,2 milhões de consumidores no mercado livre (de um total de 1,49 milhões). Ou seja, 98% do consumo de gás natural está no mercado liberalizado. A EDP é o comercializador com mais clientes no gás natural, enquanto a Galp tem a maior quota no consumo.

"Mais de 90% da carteira de clientes da EDP Comercial terá uma redução média de 2,1%, em linha com a alteração da tarifa regulada. Para valores médios de consumo, a redução da fatura de gás natural vai variar entre 2,5 e 9,5 euros por ano, consoante o escalão de consumo", referiu ao DN/Dinheiro Vivo fonte oficial da EDP Comercial, sublinhando que as tarifas de gás natural refletem a redução no acesso às redes mas também "a variação do preço de gás natural no mercado de energia que, neste ano, regista uma subida".

Os últimos dados da ERSE, de maio de 2019, apontam para 1,2 milhões de consumidores no mercado livre

No entanto, os preços do gás natural no MIBGAS ibérico desceram 1,1 euros/MWh (de 22,2 para 21,1 euros) no primeiro semestre de 2019 face ao período homólogo, uma quebra de 5%. Já os números da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) mostram que em 2018 Portugal importou menos quantidade de gás natural (-3,5% do que em 2017, 65680 GWh) e pagou mais 8,6% (1,3 mil milhões de euros).

Na Galp, que já enviou um e-mail aos clientes a informar sobre a atualização de preços, "para os valores médios de consumo em cada escalão, a conjugação destes efeitos traduz-se numa descida média da fatura entre 1,5% e 3%" em todos os quatro escalões. Fonte oficial da empresa sublinhou que "mais importante do que a percentagem de descida - ou mesmo o valor absoluto - é o preço final para o consumidor, que inclui descontos diretos na fatura". "Tendo em conta a realidade dos consumos da carteira de clientes da Galp, a fatura média irá baixar entre 2,5 e 43,3 euros por ano", garantiu a mesma fonte.

A espanhola Iberdrola optou por calcular a descida de preços em termos mensais e a Endesa não revela a sua estratégia antes de 1 de outubro. "A comunicação aos clientes realizar-se-á através das faturas", afirmou fonte oficial da empresa.

"Os atuais clientes da Iberdrola vão verificar uma redução entre 2,3% e 5% nos preços finais. O valor médio de descida no universo da empresa é de 2,9%. A partir de outubro, um cliente que pague 14 euros na fatura mensal de gás natural terá uma poupança de 0,42 euros. Já um cliente com uma faturação mensal de 70 euros terá um poupança de 3,22 euros", revelou ao DN/Dinheiro Vivo Carla Costa, diretora comercial da Iberdrola em Portugal.

Para quem ainda se mantém no mercado regulado (apenas 280 mil consumidores), os preços vão cair 2,2% a partir de outubro

Com uma estratégia comercial mais agressiva, a Goldenergy, que faz parte do grupo suíço Axpo, "desceu os preços do gás por antecipação há três meses, desde 1 de julho", lembra o diretor-geral Miguel Checa Rodriguez. "Na sequência da compra favorável de gás nos mercados internacionais, reduzimos os preços finais até 10% nos nossos tarifários no escalão 3, que corresponde tipicamente a uma família de dois filhos e representa uma poupança anual de até 120 euros", garante, acrescentando que "as reduções no valor das faturas dependem do consumo de cada cliente, variando entre os 14 euros para consumos muito baixos e os 200 euros em consumos mais elevados".

Manuel Azevedo, CEO da Energia Simples, explica que a oferta da empresa "teve uma redução de 3,6%, numa média de escalões. Os escalões mais altos (3 e 4) usufruíram de maior descida, enquanto no primeiro escalão foi de 2,17%". "Para o Plano Gás Online, podemos observar numa fatura anual uma diferença entre três e oito euros para o 1.º e 2.º escalões, respetivamente."

Por último, para quem ainda se mantém no mercado regulado (apenas 280 mil consumidores), os preços vão cair 2,2% a partir de outubro: uma poupança entre 27 e 50 cêntimos por mês.

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