Empresários da noite pedem a Marcelo intervenção junto do Governo

"As festas ilegais vão continuar a existir, os restaurantes estão a substituir os bares e as discotecas, as quintas de casamentos passam a ser autênticas discotecas no final do ano e nós vamos estar encerrados", disse Ricardo Tavares, da Associação Portuguesa de Bares, Discotecas e Animadores.

Empresários de bares e discotecas estiveram esta quinta-feira no Palácio de Belém para sensibilizarem o Presidente para aquilo que consideram ser uma discriminação do setor, de novo parado por causa da pandemia, pedindo-lhe que intervenha junto do Governo.

"As festas ilegais vão continuar a existir, os restaurantes estão a substituir os bares e as discotecas, as quintas de casamentos passam a ser autênticas discotecas no final do ano e nós vamos estar encerrados", disse à Lusa Ricardo Tavares, da Associação Portuguesa de Bares, Discotecas e Animadores, um dos empresários recebido quinta-feira no Palácio de Belém, em Lisboa, por dois assessores do Presidente da República.

O empresário considerou que a Presidência da República e, em particular, o Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, têm sensibilidade para "o problema" deste setor, realçando que a audiência foi pedida na quarta-feira e teve resposta positiva de imediato, com a reunião a realizar-se já quinta-feira, menos de 24 horas depois do primeiro contacto.

"Aquilo que fomos fazer foi basicamente sensibilizar o Presidente, por via dos seus assessores, para aquilo que está a acontecer connosco e pedir para, dentro das possibilidades e do âmbito da sua função, que junto do Governo seja falado deste nosso problema mais uma vez e que possamos de vez abrir", disse Ricardo Tavares.

Depois de terem estado fechados durante 19 meses por causa da pandemia, as discotecas e bares reabriram em outubro, com os clientes a terem de apresentar testes negativos de covid-19, mas voltaram a fechar esta semana, até 09 de janeiro.

"Muitos empresários estão a ver cada vez mais a sua vida completamente presa a este encerramento que o Governo fez mais uma vez e acabamos por ser novamente o bode expiatório", afirmou Ricardo Tavares, acrescentou que o setor tem "muitas dúvidas" de que haja permissão para reabrir depois de 9 de janeiro, atendendo ao aumento de infeções com o vírus da covid-19 e às "festas ilegais" que vão "acontecer na mesma" na passagem do ano, "sem qualquer tipo de testagem", ao contrário do que aconteceria nos bares e discotecas, que "seriam espaços seguros".

Além de pedirem para reabrir, as associações defendem "um apoio mais musculado da parte do Governo ao setor", afirmou Ricardo Tavares, que referiu o caso de espaços que abriram durante a pandemia ou tinham previsto essa abertura e que não são abrangidos pelos apoios anunciados.

Para Ricardo Tavares, as decisões do Governo relacionadas com o setor são "uma brincadeira com estas empresas", até porque os empresários foram incentivados a fazer investimentos a pensar na reabertura e na passagem do ano de 2021 para 2022.

Estiveram também representadas na audiência de quinta-feira na Presidência da República a Associação Nacional de Bares e Discotecas e a Associação de Discotecas Nacional.

A covid-19 provocou mais de 5,41 milhões de mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.921 pessoas e foram contabilizados 1.330.158 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

Uma nova variante, a Ómicron, considerada preocupante e muito contagiosa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detetada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24 de novembro, foram notificadas infeções em pelo menos 110 países, sendo dominante em Portugal.

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