Exclusivo "Digitalização? Há sempre o tal papelinho que é preciso preencher"

Ana Trigo Morais é administradora delegada da Sociedade Ponto Verde.

Como antevê o país para 2022 e quais os principais desafios?
Em 2022, a questão chave para Portugal será a solução de Governo que sairá das eleições de 30 de janeiro. Tendo em conta o principal desafio que o país tem pela frente - a recuperação social e económica de uma pandemia - e toda a incerteza que rodeia a evolução dessa mesma pandemia, há que encontrar modelos de desenvolvimento que privilegiam a inovação e o estímulo a novas cadeias de valor, sem perder de vista a coesão social. Precisamos de modelos alinhados com os princípios da moderação e da colaboração e não na radicalização de políticas e soluções que excluem em vez de incluir. Da Alemanha, no pós-Merkel, chega um exemplo de entendimento que pode ser um bom caminho para evitar os extremos. O jornal El País até usou esta forma de governo para dizer que a social-democracia está de volta.

Que característica teria, para si, um governo ideal para Portugal?
Um governo curto, com ministros de grande peso político, apoiado por um conjunto de técnicos que tenham uma visão que não pode esquecer o curto-prazo, mas tem de pensar no médio e longo-prazo. Um governo com uma nova estrutura e até arrojado na sua organização, atento aos impactos económicos e sociais da chamada era das transições: energética, verde e digital. Serão tempos de oportunidades e renovação, mas também de grandes disrupções que exigem líderes transparentes, com capacidade de resistência e de comunicação e que não cedam ao modelo da navegação à vista.

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