Crédito vencido em máximos históricos

Lei trava venda de casa pelo fisco, mas não a execução da hipoteca pelo banco quando há atrasos na prestação

O volume de crédito vencido na habitação registou, em junho, um valor sem paralelo nos últimos anos, atingindo 2629 milhões de euros. No mês seguinte observou--se um ligeiro recuo (para 2606 milhões de euros), mas a informação que todos os meses é disponibilizada através do Boletim Estatístico do Banco de Portugal mostra que o volume de empréstimos com prestações em atraso continua em níveis historicamente elevados (ver infografia).

Em 2008, quando a torneira do crédito hipotecário ainda jorrava, o malparado na habitação (definição onde entram os atrasos superiores a 90 dias) ascendia a 1579 milhões de euros. Daí em diante a tendência foi sempre de subida, ao mesmo tempo que os bancos começavam a estreitar critérios e a aumentar as exigências a quem pedia um novo crédito para comprar casa. Em janeiro deste ano, o crédito vencido passou a barreira dos 2,5 mil milhões de euros, equivalendo a sensivelmente 2% do crédito hipotecário total.

Tradicionalmente, a prestação do empréstimo da casa é a última a ficar para trás quando a situação financeira das famílias entra em derrapagem. Mas os efeitos da crise, traduzidos na quebra de rendimentos e em elevadas taxas de desemprego, fizeram que milhares de famílias não conseguissem manter este empréstimo em dia.

As regras aprovadas em maio, apesar de travarem a venda quando existem dívidas fiscais, não impedem a execução da hipoteca da habitação e da sua posterior venda por parte dos bancos em caso de incumprimento.

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