Crédito pessoal subiu 75% em apenas quatro anos

Os bancos estão a apostar de novo em força no crédito pessoal. Só em agosto, os empréstimos ao consumo somaram 487,7 milhões de euros, mais 23,9% do que há um ano

Os portugueses estão de novo a fazer compras com recurso ao crédito. Só em agosto, os empréstimos ao consumo somaram 487,7 milhões de euros, mais 94,2 milhões do que há um ano. É um aumento de 23,9%. E a média mensal do montante dos novos créditos pessoais concedidos nos primeiros oito meses deste ano, de acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, disparou para 471,1 milhões, mais 75% do que em 2012, quando a troika já estava instalada no país.

"Os bancos, graças às injeções de fundos do BCE, têm muito dinheiro disponível e querem vendê-lo a taxas mais elevadas. Por isso, estão de novo a fazer campanhas agressivas de publicidade ao crédito pessoal, lançando novas ofertas, uma vez que as taxas de juro são bem mais elevadas do que, por exemplo, nos empréstimos à habitação, em que as taxas estão a cair sucessivamente", explica Nuno Rico, economista da Deco. A taxa anual efetiva global (TAEG) máxima do crédito pessoal sem finalidade específica foi fixada pelo Banco de Portugal em 14,2% para o último trimestre de 2016; a taxa mais baixa do mercado é de 11,3%.

A subida da concessão de crédito pessoal explica-se também com a "recuperação da disponibilidade das famílias para voltarem a consumir, e naturalmente que estão a aproveitar este momento de muita oferta por parte das instituições financeiras para realizarem algumas compras ou até algumas obras que foram adiando nos últimos anos". O crédito pessoal sem finalidade específica deu, em agosto, um pulo de 23,2% face a igual período de 2015; e para educação, saúde e energias renováveis aumentou 58,5%.

O economista deixa um alerta: "Esta recuperação do poder de compra ainda não é sustentável e os dados do sobre-endividamento são a prova disso mesmo." Só no primeiro semestre deste ano, o Gabinete de Apoio ao Sobre-Endividado recebeu um total de 17 300 pedidos de ajuda, com cada consumidor a apresentar, em média, cinco créditos ativos. E há também uma realidade diferente - "há pessoas empregadas que viram os rendimentos reduzidos e não têm como fazer face aos compromissos assumidos antes da crise".

Nuno Rico mostra-se ainda preocupado com "a vasta oferta e com as estratégias de marketing por parte das instituições financeiras para o crédito pessoal, que são iguais àquilo a que assistimos antes da crise, e conhecemos bem os resultados. Parece que não aprendemos nada com os erros do passado".

Tendo em conta o boom na procura de crédito pessoal, a associação de defesa dos consumidores analisou as propostas apresentadas por 17 instituições financeiras a operar em Portugal. A solução do ActivoBank é a mais baixa do mercado, conclui (ver infografia com os cinco melhores créditos publicados pela Dinheiro & Direitos).

Mas, logo à cabeça, faz uma advertência aos consumidores. "A TAEG é a variável que deve seguir de guia para comparar propostas de crédito, porque reflete todos os custos do empréstimo, nomeadamente comissões iniciais e periódicas, seguros associados e impostos." Há propostas no mercado com uma taxa anual nominal (TAN) "atrativa, mas que escondem uma TAEG mais elevada".

E, com taxas de juro tão elevadas, o melhor mesmo é pedir o menos possível, pelo prazo mais curto. E sempre que tiver uma folga no orçamento familiar aproveite para amortizar o empréstimo, aconselha Nuno Rico. É que uma má utilização do crédito pode gerar graves situações financeiras e familiares.

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